Calculadora do Motorista de Aplicativo: quanto sobra
No exemplo desta página — R$ 380,00 por dia no aplicativo, 10 horas logado e carro próprio — sobram R$ 16,63 por hora, R$ 8,31 por corrida e R$ 3.658,00 no mês, depois do combustível, da manutenção, do seguro, do IPVA, da perda de valor do carro e do INSS. A régua que decide é a hora: troque os números pelos seus na calculadora abaixo.
Salário mínimo, teto do INSS e DAS do MEI de 2026. Última atualização de dados nesta página: .
Calcule quanto sobra para você
Informe a sua jornada, o combustível, os custos do carro e como você contribui para o INSS. O lucro por hora, por corrida, por dia e no mês e o ponto de recusa por quilômetro aparecem na hora.
R$ 38,00 brutos por hora, menos o carro e a previdência.
| Custo | Como sai | No mês |
|---|---|---|
| Combustível | 4.840 km ÷ 11 km/L = 440 L × R$ 6,29 por litro | R$ 2.767,60 |
| Manutenção | Valor mensal informado (óleo, pneus, revisões, reparos) | R$ 400,00 |
| Aluguel ou parcela do carro | Valor mensal informado | R$ 0,00 |
| Seguro | R$ 3.000,00 por ano ÷ 12 | R$ 250,00 |
| IPVA e licenciamento | R$ 1.800,00 por ano ÷ 12 | R$ 150,00 |
| Perda de valor do carro | R$ 6.000,00 por ano ÷ 12 | R$ 500,00 |
| Outros custos (celular, lavagem, taxas) | Valor mensal informado | R$ 300,00 |
| Previdência — Autônomo, plano normal | Base: 20% de R$ 8.360,00 = R$ 1.672,00. Contribuição: 20% × R$ 1.672,00 = R$ 334,40 | R$ 334,40 |
| Lucro do mês | R$ 8.360,00 de ganhos − R$ 4.702,00 de custos | R$ 3.658,00 |
- CombustívelR$ 2.767,60
- ManutençãoR$ 400,00
- SeguroR$ 250,00
- IPVA e licenciamentoR$ 150,00
- Perda de valor do carroR$ 500,00
- Outros custos (celular, lavagem, taxas)R$ 300,00
- Previdência — Autônomo, plano normalR$ 334,40
- LucroR$ 3.658,00
Ver os dados em tabela
| Ganhos do mês | Valor | % do total |
|---|---|---|
| Combustível | R$ 2.767,60 | 33,1% |
| Manutenção | R$ 400,00 | 4,8% |
| Seguro | R$ 250,00 | 3% |
| IPVA e licenciamento | R$ 150,00 | 1,8% |
| Perda de valor do carro | R$ 500,00 | 6% |
| Outros custos (celular, lavagem, taxas) | R$ 300,00 | 3,6% |
| Previdência — Autônomo, plano normal | R$ 334,40 | 4% |
| Lucro | R$ 3.658,00 | 43,8% |
| Total | R$ 8.360,00 | 100% |
No mês você roda 4.840 km, queima 440 litros e fica 220 horas logado em 440 corridas. Cada quilômetro rende R$ 1,73 e custa R$ 0,97; cada corrida rende em média R$ 19,00 brutos.
Como o lucro do motorista é calculado
Lucro = ganhos do mês − combustível − manutenção − custos fixos do carro − previdência. No exemplo, R$ 8.360,00 de ganhos viram R$ 3.658,00 de lucro: sobram 43,76% de cada real que o aplicativo credita.
A conta tem seis passos, e o que a torna difícil não é a aritmética: é lembrar de tudo que o carro custa e colocar cada custo no mesmo ritmo. Combustível se paga por quilômetro, manutenção por mês, IPVA e seguro por ano, e a perda de valor do carro só aparece no dia em que você vende. A calculadora põe tudo no mês.
- Some os ganhos do mês. Multiplique o que o aplicativo credita por dia pelos dias trabalhados. No exemplo, R$ 380,00 × 22 dias = R$ 8.360,00. Use o valor do extrato, que já vem sem a taxa da plataforma.
- Calcule o combustível pelos quilômetros reais. Quilômetros do mês ÷ consumo do carro × preço do litro. Conte TODOS os quilômetros, inclusive os vazios: 4.840 km ÷ 11 km/L dão 440 litros, que a R$ 6,29 custam R$ 2.767,60.
- Mensalize o que é pago por ano. Seguro, IPVA com licenciamento e a perda de valor do carro são divididos por doze. R$ 3.000,00 de seguro viram R$ 250,00 por mês; R$ 1.800,00 de IPVA e licenciamento viram R$ 150,00; R$ 6.000,00 de desvalorização viram R$ 500,00.
- Calcule a previdência. No plano normal, a base do INSS é 20% dos ganhos (R$ 1.672,00), respeitado o piso de R$ 1.621,00 e o teto de R$ 8.475,55; sobre ela incidem 20%, o que dá R$ 334,40. No MEI, é o DAS fixo de R$ 87,05.
- Subtraia e divida pelas três réguas. Lucro = ganhos − todos os custos = R$ 3.658,00. Dividido pelos 22 dias, dá R$ 166,27 por dia; pelas 220 horas, R$ 16,63 por hora; pelas 440 corridas, R$ 8,31 por corrida.
- Tire o ponto de recusa por quilômetro. Custo variável por km (combustível + manutenção ÷ km) = R$ 0,65; custo total por km = R$ 0,97. Corrida que paga menos que o primeiro não cobre o que ela mesma gasta.
A memória de cálculo do exemplo
| Custo | Como sai | No mês |
|---|---|---|
| Combustível | 4.840 km ÷ 11 km/L = 440 L × R$ 6,29 por litro | R$ 2.767,60 |
| Manutenção | Valor mensal informado (óleo, pneus, revisões, reparos) | R$ 400,00 |
| Aluguel ou parcela do carro | Valor mensal informado | R$ 0,00 |
| Seguro | R$ 3.000,00 por ano ÷ 12 | R$ 250,00 |
| IPVA e licenciamento | R$ 1.800,00 por ano ÷ 12 | R$ 150,00 |
| Perda de valor do carro | R$ 6.000,00 por ano ÷ 12 | R$ 500,00 |
| Outros custos (celular, lavagem, taxas) | Valor mensal informado | R$ 300,00 |
| Previdência — Autônomo, plano normal | Base: 20% de R$ 8.360,00 = R$ 1.672,00. Contribuição: 20% × R$ 1.672,00 = R$ 334,40 | R$ 334,40 |
| Lucro do mês | R$ 8.360,00 de ganhos − R$ 4.702,00 de custos | R$ 3.658,00 |
- CombustívelR$ 2.767,60
- ManutençãoR$ 400,00
- SeguroR$ 250,00
- IPVA e licenciamentoR$ 150,00
- Perda de valor do carroR$ 500,00
- Outros custos (celular, lavagem, taxas)R$ 300,00
- Previdência — Autônomo, plano normalR$ 334,40
- LucroR$ 3.658,00
Ver os dados em tabela
| Ganhos do mês | Valor | % do total |
|---|---|---|
| Combustível | R$ 2.767,60 | 33,1% |
| Manutenção | R$ 400,00 | 4,8% |
| Seguro | R$ 250,00 | 3% |
| IPVA e licenciamento | R$ 150,00 | 1,8% |
| Perda de valor do carro | R$ 500,00 | 6% |
| Outros custos (celular, lavagem, taxas) | R$ 300,00 | 3,6% |
| Previdência — Autônomo, plano normal | R$ 334,40 | 4% |
| Lucro | R$ 3.658,00 | 43,8% |
| Total | R$ 8.360,00 | 100% |
Repare no tamanho do combustível: R$ 2.767,60 de R$ 4.702,00 de custos, ou 59% do total. É por isso que o consumo real do carro e os quilômetros vazios pesam no resultado. Os custos fixos — R$ 1.200,00 no exemplo — não mudam com a quilometragem, e é aí que rodar poucos dias no mês pesa: o mesmo seguro e a mesma perda de valor se dividem por menos corridas.
Valores oficiais de 2026 que entram na conta
O custo do motorista que sai de tabela federal é a previdência. Em 2026, a base do INSS vai do salário mínimo de R$ 1.621,00 ao teto de R$ 8.475,55, o que põe a contribuição do plano normal entre R$ 324,20 e R$ 1.695,11 por mês.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Salário mínimo de 2026 (piso da base) | R$ 1.621,00 |
| Teto do salário de contribuição em 2026 | R$ 8.475,55 |
| Base do INSS do motorista, sobre o valor bruto | 20% |
| Alíquota do plano normal | 20% |
| Contribuição mínima no plano normal | R$ 324,20 |
| Contribuição máxima no plano normal | R$ 1.695,11 |
| Plano simplificado (11% do mínimo) | R$ 178,31 |
| DAS do MEI motorista (INSS + ICMS + ISS) | R$ 87,05 |
| Teto de receita bruta do MEI por ano | R$ 81.000,00 |
| Parte do bruto tributável no imposto de renda | 60% |
A regra que muda tudo para o motorista está no Regulamento da Previdência Social: o salário de contribuição de quem faz transporte remunerado privado individual de passageiros é 20% do valor bruto auferido, e não o bruto inteiro. Sobre essa base incidem os 20% do contribuinte individual. Resultado prático: no plano normal, o INSS do motorista é 20% de 20% dos ganhos, respeitados o piso e o teto.
Até certo patamar de ganhos, quem manda é o piso. Enquanto os ganhos do mês ficarem abaixo de R$ 8.105,00, a base calculada fica abaixo do salário mínimo e a contribuição do plano normal é sempre a mínima, de R$ 324,20. O teto só é alcançado com ganhos de R$ 42.377,75 no mês.
Exemplo prático: carro próprio contra carro alugado
O mesmo motorista, com os mesmos ganhos, fica com R$ 3.658,00 no mês de carro próprio e R$ 2.158,00 com um carro alugado a R$ 2.400,00. Por hora, R$ 16,63 contra R$ 9,81.
O exemplo usa a jornada do caso padrão: R$ 380,00 de ganhos por dia, 20 corridas, 10 horas logado, 220 km rodados e 22 dias no mês. Com carro próprio, entram o seguro (R$ 250,00 por mês), o IPVA com licenciamento (R$ 150,00) e a perda de valor (R$ 500,00). Com carro alugado, esses três saem e entra o aluguel de R$ 2.400,00.
O custo total por quilômetro vai de R$ 0,97 com o carro próprio para R$ 1,28 com o alugado. A diferença não diz que alugar é sempre pior: diz quanto a perda de valor do seu carro precisa ser para o aluguel compensar. A perda de valor muda de carro para carro, e o jeito de medir a sua é comparar o preço dele hoje com o do mesmo modelo um ano mais velho. Os valores de aluguel, seguro e perda do exemplo são de demonstração — use os seus.
- Lucro por hora
Ver os dados em tabela
| Cenário | Lucro por hora |
|---|---|
| Carro próprio | R$ 16,63 |
| Carro alugado | R$ 9,81 |
| Jornada de 12 h | R$ 13,86 |
Por que o lucro por hora é a régua que decide
Porque é a hora que você vende. Faturar os mesmos R$ 380,00 em 12 horas em vez de 10 derruba o lucro por hora de R$ 16,63 para R$ 13,86, sem mudar um centavo o lucro do mês.
Lucro por corrida engana porque corrida longa sempre parece melhor: paga mais, mas prende o carro por mais tempo e pode terminar longe da região de chamadas, com uma volta vazia que não aparece no valor da corrida. Lucro por dia engana porque esconde quantas horas foram necessárias para chegar nele.
A hora não engana. No cenário de jornada longa, o motorista fatura o mesmo, roda os mesmos quilômetros e paga os mesmos custos — só fica mais tempo logado, esperando chamada. O lucro do mês é idêntico, mas cada hora rende R$ 2,77 a menos. Esse é o número para comparar com qualquer outro trabalho que você esteja considerando, e para decidir se vale ficar mais uma hora na rua no fim do dia.
Por isso o número grande da calculadora é o lucro por hora. Os outros — por corrida, por dia e no mês — ficam logo abaixo, porque a pergunta chega das três formas, mas a decisão de jornada se toma pela hora.
Ponto de recusa: o mínimo por quilômetro para aceitar uma corrida
Com os custos do exemplo, corrida que paga menos de R$ 0,65 por quilômetro não cobre nem o combustível e o desgaste que ela mesma gera. Abaixo de R$ 0,97 por quilômetro, na média, o mês fecha no prejuízo.
São dois limiares, e cada um responde a uma pergunta. O custo variável por quilômetro — combustível mais manutenção, divididos pelos quilômetros do mês — é o que a corrida gasta por existir. Aceitar abaixo dele é pagar para trabalhar. O custo total por quilômetro inclui seguro, IPVA, perda de valor, outros custos e a previdência: é o valor médio que as corridas precisam pagar para o mês empatar.
Para comparar uma oferta com esses limiares, some os quilômetros até o passageiro com os da corrida e divida o valor oferecido pelo total. Uma oferta de R$ 12,00 para 12 km no total paga R$ 1,00 por quilômetro, acima dos dois limiares do exemplo. Uma de R$ 7,00 para 12 km paga R$ 0,58, abaixo até do custo variável: é corrida para recusar.
Na média do exemplo, cada quilômetro rende R$ 1,73 e deixa R$ 0,76 de lucro. O ponto de recusa não substitui a régua da hora — uma corrida curta abaixo do limiar pode valer a pena se deixar você numa região com mais chamadas —, mas é o jeito rápido de filtrar a oferta na tela do celular.
MEI ou autônomo: quanto cada forma de contribuir custa
Motorista de aplicativo pode ser MEI: a ocupação está na lista oficial. O DAS de R$ 87,05 sai mais barato que os R$ 334,40 do plano normal no exemplo, mas conta só um salário mínimo de base para os benefícios.
A lei exige que o motorista de aplicativo esteja inscrito no INSS como contribuinte individual. Dali ele escolhe como contribuir: no plano normal, sobre 20% dos ganhos; no plano simplificado, 11% do salário mínimo; ou como MEI, pela ocupação "motorista (por aplicativo ou não) independente", que paga no DAS R$ 81,05 de INSS, R$ 1,00 de ICMS e R$ 5,00 de ISS.
| Forma | Por mês | Lucro no mês | Lucro por hora | O que garante |
|---|---|---|---|---|
| Autônomo, plano normal | R$ 334,40 | R$ 3.658,00 | R$ 16,63 | Todos os benefícios do contribuinte individual, sobre a base real, até o teto |
| Autônomo, plano simplificado | R$ 178,31 | R$ 3.814,09 | R$ 17,34 | Benefícios sobre um salário mínimo; sem aposentadoria por tempo de contribuição |
| MEI, pelo DAS | R$ 87,05 | R$ 3.905,35 | R$ 17,75 | Benefícios sobre um salário mínimo; sem aposentadoria por tempo de contribuição |
| Não contribuo | R$ 0,00 | R$ 3.992,40 | R$ 18,15 | Nenhum |
- Por mês
Ver os dados em tabela
| Forma | Por mês |
|---|---|
| Autônomo, plano normal | R$ 334,40 |
| Autônomo, plano simplificado | R$ 178,31 |
| MEI, pelo DAS | R$ 87,05 |
| Não contribuo | R$ 0,00 |
O MEI tem um limite que o motorista de tempo integral alcança: o teto de receita bruta de R$ 81.000,00 por ano, ou R$ 6.750,00 por mês. O motorista do exemplo soma R$ 100.320,00 em doze meses e ficaria acima dele. Com ganhos de até R$ 6.750,00 por mês, em média, o MEI cabe; acima disso, a conta do teto vem antes da conta do DAS.
A escolha não é só de preço. O plano normal é o único dos três que conta o seu ganho real para os benefícios e que permite a aposentadoria por tempo de contribuição nas regras de transição. O simplificado e o MEI garantem os benefícios sobre um salário mínimo — auxílio por incapacidade, salário-maternidade, aposentadoria por idade —, e é essa cobertura que paga as contas se um acidente tirar você da rua.
Casos de borda
São oito situações em que a conta muda ou em que a calculadora precisa de um cuidado na hora de preencher. Cada uma está explicada abaixo, com o que fazer.
Ganhei pouco no mês e a base do INSS ficou abaixo do mínimo
Com R$ 6.600,00 de ganhos, 20% dão R$ 1.320,00, abaixo do salário mínimo de R$ 1.621,00. Pagar 20% sobre essa base daria R$ 264,00, mas a competência só conta para o INSS se a contribuição for sobre, no mínimo, o piso: R$ 324,20. A calculadora já aplica o piso e avisa quando isso acontece. Na prática, abaixo de R$ 8.105,00 de ganhos no mês o valor do plano normal não muda.
Ganhei muito e a base passou do teto
A base para no teto de R$ 8.475,55, o que acontece quando os ganhos do mês chegam a R$ 42.377,75. Dali para cima a contribuição fica em R$ 1.695,11 e não cresce — nem o benefício futuro.
O carro é alugado
Aluguel entra inteiro como custo do mês, e somem o seguro, o IPVA e a perda de valor, que são do locador. Informe zero nesses três campos. No exemplo, com aluguel de R$ 2.400,00, o lucro do mês vai a R$ 2.158,00 e o lucro por hora a R$ 9,81.
O carro é financiado
A parcela do financiamento vai no campo de aluguel ou parcela, porque sai do seu bolso todo mês. A perda de valor continua valendo: o carro financiado desvaloriza igual. O que a calculadora não separa são os juros embutidos na parcela — ela trata a parcela inteira como custo de ter o carro.
Rodo em dois aplicativos
Some os ganhos dos dois no dia e informe o total, junto com todos os quilômetros e horas logado em qualquer um deles. A conta é do carro e da sua hora, não da plataforma. Para comparar os aplicativos entre si, rode a calculadora uma vez para cada um, com as horas e os quilômetros que cada um consome.
Carro a etanol, GNV ou flex
Informe o preço e o consumo do combustível que você usa de verdade. Com etanol o consumo em km/L cai e o preço do litro também; com GNV, informe o preço do metro cúbico e os quilômetros por metro cúbico. A fórmula é a mesma: quilômetros ÷ consumo × preço.
O resultado deu prejuízo
A calculadora mostra o valor negativo em vez de travar em zero, porque o tamanho do prejuízo importa. Se o ganho por quilômetro passa do custo variável por quilômetro, o problema está nos custos fixos (aluguel, parcela, seguro) divididos por poucos dias de trabalho; se nem o custo variável é coberto, as corridas pagam menos que o combustível e o desgaste.
Quero saber quanto ganho líquido por corrida específica
Use o ponto de recusa. Some os quilômetros até o passageiro e os da corrida, divida o valor oferecido por esse total e compare com o custo variável por km (R$ 0,65) e o total (R$ 0,97). A calculadora dá a média do mês, e a média é a régua para decidir corrida a corrida.
O que esta página escolhe, e por quê
São cinco pontos em que as fontes divergem, em que a informação que circula está errada, ou em que não conseguimos conferir um número. Em vez de escondê-los, esta seção mostra o que adotamos e o motivo.
Motorista de aplicativo pode ser MEI?
O que circula: Que transporte de passageiros não é atividade permitida ao MEI, e que o motorista de aplicativo precisa contribuir como autônomo.
O que esta página adota: Pode. A lista oficial de ocupações permitidas ao MEI traz "motorista (por aplicativo ou não) independente", com incidência de ISS e de ICMS. A calculadora oferece o MEI como forma de contribuição, com o DAS de R$ 87,05.
Por quê: Conferimos no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, na versão publicada pelo Portal do Simples Nacional. A premissa contrária circula em guias na internet; conferida na fonte, ela não se sustenta. Quem deixa de abrir o MEI por causa dela paga mais caro para ter a mesma cobertura mínima.
A base do INSS é a tarifa cheia ou o que o aplicativo me repassa?
O que circula: As duas coisas. Há quem calcule os 20% sobre o valor que o passageiro pagou, com a taxa da plataforma dentro, e há quem calcule sobre o repasse.
O que esta página adota: A calculadora usa o que você informa como ganhos — o repasse do extrato. Se você entende que o seu valor bruto é a tarifa cheia, informe a tarifa cheia no campo de ganhos e a taxa da plataforma nos outros custos; o INSS sobe junto.
Por quê: O decreto fala em "valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte" e não define como tratar a intermediação da plataforma. Não achamos norma que resolva o ponto, então a escolha fica visível e reversível em vez de escondida numa fórmula.
O motorista de aplicativo paga Sest/Senat?
O que circula: Que todo condutor autônomo recolhe mais 2,5% ao Sest/Senat junto com o INSS.
O que esta página adota: A calculadora NÃO soma o Sest/Senat. A lei cobra a contribuição do "transportador autônomo"; não conseguimos conferir no texto oficial vigente da norma da Receita a extensão expressa ao motorista de aplicativo.
Por quê: Um número que não conferimos não entra na conta. Se o seu contador recolhe o Sest/Senat, some o valor em "outros custos": são 1,5% e 1,0% do salário de contribuição, pela Lei nº 8.706/1993, art. 7º, II.
O plano simplificado de 11% vale para quem roda por aplicativo?
O que circula: Que o motorista de aplicativo é obrigado a pagar 20%.
O que esta página adota: A calculadora oferece o plano simplificado (11% do mínimo, R$ 178,31), que a lei reserva a quem trabalha por conta própria sem relação de trabalho com empresa. Adotamos a leitura de que o motorista está nesse caso: ele contrata a plataforma e presta o serviço ao passageiro.
Por quê: O preço da escolha está na página: o plano simplificado não dá aposentadoria por tempo de contribuição e só conta um salário mínimo de base, qualquer que seja o seu ganho.
E o imposto de renda?
O que circula: Que o motorista paga imposto sobre tudo o que recebe, ou que não paga nada.
O que esta página adota: Nenhum dos dois, e a calculadora não soma IR. A lei considera tributável 60% do rendimento bruto de transporte de passageiros em veículo próprio; o cálculo mensal é o carnê-leão, que tem página própria com a tabela e o redutor de 2026.
Por quê: O imposto depende de outros rendimentos, deduções e dependentes que esta página não pergunta. Somar um IR estimado aqui daria um número com cara de exato para uma conta que não é.
Base legal
A parte legal desta conta se apoia em oito normas, listadas abaixo com link para o texto oficial. Os custos do carro não têm norma: são os seus números.
- Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social), art. 214, § 19, e art. 9º, § 15, I
- O motorista de transporte remunerado privado individual de passageiros é contribuinte individual, e o salário de contribuição dele corresponde a 20% do valor bruto auferido, sem dedução de combustível nem de manutenção.
- Lei nº 8.212/1991, arts. 21 e 28
- Fixa a alíquota de 20% do contribuinte individual, o plano simplificado de 11% sobre o salário mínimo, e o piso e o teto do salário de contribuição.
- Lei nº 12.587/2012, art. 11-A, parágrafo único, III (incluído pela Lei nº 13.640/2018)
- Manda os municípios exigirem a inscrição do motorista de aplicativo como contribuinte individual do INSS.
- Resolução CGSN nº 140/2018, Anexo XI — ocupações permitidas ao MEI
- Inclui a ocupação "motorista (por aplicativo ou não) independente", CNAE 4923-0/02, contribuinte de ISS e de ICMS.
- Lei Complementar nº 123/2006, art. 18-A
- Define o DAS do MEI como valor fixo mensal: R$ 81,05 de INSS, R$ 1,00 de ICMS e R$ 5,00 de ISS em 2026, e o teto de receita bruta de R$ 81.000,00 por ano.
- Lei nº 7.713/1988, art. 9º, II
- Considera tributável pelo imposto de renda 60% do rendimento bruto do transporte de passageiros em veículo próprio, locado ou financiado.
- Lei nº 8.706/1993, art. 7º, II
- Cria a contribuição do transportador autônomo ao Sest e ao Senat, sobre o salário de contribuição previdenciária. Citada para explicar por que ela NÃO entra na conta desta página.
- Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025 — salário mínimo de 2026
- Fixa o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621,00: é o piso do salário de contribuição do motorista, a base do plano simplificado e a base do INSS do DAS do MEI.
Fontes dos números desta página
As tabelas usadas no cálculo foram levantadas em e conferidas contra as publicações oficiais abaixo.
- Tabela de contribuição mensal do INSS — INSS
- Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 9 de janeiro de 2026 — Ministério da Previdência Social
- Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025 — redutor do IRPF — Presidência da República
- Instrução Normativa RFB nº 2.312, de 13 de março de 2026 — obrigatoriedade da declaração do exercício 2026 — Receita Federal
- Lei nº 15.191, de 11 de agosto de 2025 — tabela progressiva do IRPF — Presidência da República
- Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025 — salário mínimo de 2026 — Presidência da República
- Lei nº 8.036/1990 — FGTS — Presidência da República
- Lei nº 7.998/1990 — seguro-desemprego — Presidência da República
- Lei Complementar nº 123/2006 — Simples Nacional (Anexos I a V, red. LC 155/2016) — Presidência da República
- Perguntas e Respostas do Simples Nacional — Secretaria-Executiva do CGSN (21/11/2025) — Receita Federal do Brasil
- Portaria CGSN nº 54, de 17/11/2025 — sublimite de ICMS/ISS de 2026 — Comitê Gestor do Simples Nacional
Perguntas frequentes do motorista de aplicativo
São 22 dúvidas sobre lucro, custos, INSS, MEI e imposto. As respostas abaixo são as mesmas declaradas no schema desta página.
Quanto sobra para o motorista de aplicativo por hora?
Qual é a melhor régua: lucro por corrida, por dia ou por hora?
Quanto o motorista de aplicativo paga de INSS?
Por que a base do INSS do motorista é só 20% do que ele ganha?
Motorista de aplicativo pode ser MEI?
Vale mais a pena ser MEI ou pagar INSS como autônomo?
Qual o teto de faturamento do MEI para motorista?
Posso descontar gasolina e manutenção da base do INSS?
O que é o ponto de recusa em R$ por km?
Como calculo o R$ por km de uma corrida antes de aceitar?
Devo contar os quilômetros rodados sem passageiro?
Como calculo a perda de valor do meu carro?
Por que a calculadora divide o IPVA e o seguro por 12?
Carro alugado ou próprio: o que sobra mais?
Trabalhar mais horas aumenta o lucro por hora?
Motorista de aplicativo paga imposto de renda?
O motorista de aplicativo tem direito a aposentadoria?
O que acontece se eu não contribuir para o INSS?
A taxa do aplicativo entra no cálculo?
O motorista de aplicativo paga Sest/Senat?
Qual o consumo que devo informar?
Os valores do exemplo são os preços atuais?
Calculadoras relacionadas
A calculadora de custo do carro detalha a parte do veículo nesta conta. Depois do lucro, as próximas contas do motorista são a da previdência e a do imposto, cada uma com regras e página próprias.
- Custo do carroO custo de manter um carro é a soma do que é anual dividido por 12 — IPVA, licenciamento, seguro, manutenção e pneus —, do combustível que a sua quilometragem consome e da depreciação. Dividido pelos quilômetros do mês, o mesmo total vira o custo por km.
- INSS autônomoO autônomo escolhe entre o plano completo e o simplificado, que custa menos e dá menos direitos. Quem presta serviço a empresa tem a contribuição retida na fonte, e só recolhe a diferença quando presta a pessoa física.
- DAS MEIO DAS do MEI é uma guia de valor fixo mensal e não muda com o seu faturamento. Quase tudo o que você paga nela é a sua própria contribuição ao INSS, calculada sobre o salário mínimo; o resto é ICMS, ISS ou os dois, conforme a atividade.
- Carnê-leãoO carnê-leão é o imposto mensal da pessoa física sobre o que recebeu de outra pessoa física sem retenção na fonte. O livro-caixa deduz as despesas do trabalho não assalariado até o limite da receita do mês, e o excesso é transportado até dezembro.
Aviso importante
Esta calculadora é informativa e educacional. O resultado é uma estimativa feita com os números que você informa e não substitui aconselhamento contábil, jurídico ou previdenciário.