Carro Elétrico Vale a Pena? Compare com Gasolina
Com 1.000 km por mês, um elétrico de 7 km/kWh carregado a R$ 0,90 por kWh gasta R$ 142,86 de energia — já somada a perda de 10% na recarga —, contra R$ 572,73 de um carro a gasolina de 11 km/l com o litro a R$ 6,30. São R$ 429,87 a menos por mês. Se o elétrico custar R$ 40.000,00 a mais na compra, a diferença se paga em 7 anos e 10 meses. Troque os números pelos seus na calculadora.
Os valores iniciais são hipotéticos, escolhidos para a conta ser conferível de cabeça. Fontes técnicas conferidas em .
Compare o elétrico com o carro a gasolina
Informe quanto você roda, o consumo dos dois carros, a tarifa da sua conta de luz e o preço do litro. Com o preço de compra dos dois, a calculadora também mostra em quanto tempo a diferença se paga.
O elétrico gasta R$ 142,86 por mês contra R$ 572,73 da gasolina: R$ 429,87 a menos, ou 75,06% do gasto com combustível.
| Carro | Como sai | A cada 100 km | Por mês |
|---|---|---|---|
| Elétrico | 1.000 km com 7 km/kWh = 142,9 kWh da bateria; ÷ (1 − 10%) de perda na recarga = 158,7 kWh da tomada; × R$ 0,90/kWh = R$ 142,86 | R$ 14,29 | R$ 142,86 |
| Gasolina | 1.000 km ÷ 11 km/l = 90,9 litros; × R$ 6,30/litro = R$ 572,73 | R$ 57,27 | R$ 572,73 |
- Elétrico
- Gasolina
Ver os dados em tabela
| Carro | Elétrico | Gasolina |
|---|---|---|
| 1.000 km por mês | R$ 142,86 | R$ 572,73 |
O elétrico gasta 24,94% do que a gasolina gastaria no mesmo trajeto. A energia é paga pelo que sai da tomada: 158,7 kWh no mês, dos quais 142,9 kWh chegam à bateria. Rodar de elétrico empataria com a gasolina se o kWh custasse R$ 3,61; a gasolina empataria com o elétrico se o litro custasse R$ 1,57.
Ver o saldo ano a ano, por 10 anos
- Ano 1: R$ 5.158,44
- Ano 2: R$ 10.316,88
- Ano 3: R$ 15.475,32
- Ano 4: R$ 20.633,76
- Ano 5: R$ 25.792,20
- Ano 6: R$ 30.950,64
- Ano 7: R$ 36.109,08
- Ano 8: R$ 41.267,52
- Ano 9: R$ 46.425,96
- Ano 10: R$ 51.584,40
Saldo = economia acumulada menos a diferença de compra, com os preços de hoje. Não inclui revenda, seguro, manutenção nem reajuste de energia ou de combustível.
Como o custo de rodar é calculado
O custo do elétrico é a energia que sai da tomada vezes a tarifa; o da gasolina é o volume de combustível vezes o preço do litro. A diferença entre os dois é a economia. A perda na recarga — 10% no padrão — entra na conta do elétrico, porque a tomada cobra energia que não chega à bateria.
As duas fórmulas cabem em uma linha cada: elétrico = km × kWh por km ÷ (1 − perda) × tarifa; gasolina = km ÷ km/l × preço do litro. O que muda o resultado não é a aritmética, e sim de onde vem cada número — em especial, se o consumo do elétrico foi medido antes ou depois da perda da recarga.
- Converta o consumo do elétrico para kWh por quilômetro. Se o painel mostra km/kWh, divida 1 pelo número; se mostra kWh/100 km, divida por 100; se o número veio da tabela do Inmetro, em MJ/km, divida por 3,6, que é quantos megajoules cabem em um kWh. Multiplicado pelos quilômetros do mês, dá a energia do mês; com o consumo do painel, é a que sai da bateria: 142,9 kWh no caso padrão.
- Some a perda da recarga, se o consumo veio do painel. A tomada entrega mais energia do que a bateria guarda. Com 10% de perda, a energia da bateria é dividida por (1 − 10%), o que equivale a multiplicar por 1,111: 158,7 kWh saem da tomada. Se você mediu o consumo na própria tomada, ou se ele é o declarado no ciclo WLTP, a perda já está no número e este passo não se aplica.
- Multiplique pela tarifa da sua conta de luz. Use o valor do kWh com tributos que aparece na sua fatura, somado ao acréscimo da bandeira tarifária quando a fatura o cobra numa linha própria. 158,7 kWh a R$ 0,90 dão R$ 142,86 por mês.
- Calcule o gasto com gasolina. Divida os quilômetros pelo consumo em km/l e multiplique pelo preço do litro: 1.000 km a 11 km/l são 90,9 litros, que a R$ 6,30 custam R$ 572,73.
- Compare e, se quiser, calcule o payback. A economia é a diferença entre os dois gastos: R$ 429,87 por mês, ou R$ 5.158,44 por ano. Informando o preço dos dois carros, a diferença de compra é dividida pela economia anual e o prazo sai em meses inteiros, arredondados para cima.
A memória de cálculo do caso padrão
1.000 km com 7 km/kWh = 142,9 kWh da bateria; ÷ (1 − 10%) de perda na recarga = 158,7 kWh da tomada; × R$ 0,90/kWh = R$ 142,86.
1.000 km ÷ 11 km/l = 90,9 litros; × R$ 6,30/litro = R$ 572,73.
A economia é de R$ 429,87 por mês, ou 75,06% do que se gastaria com gasolina. Multiplicada por doze, dá R$ 5.158,44 por ano. Cada custo mensal é arredondado ao centavo uma única vez, sobre a conta exata; o anual é o mensal vezes doze, sem segundo arredondamento. Os kWh e os litros aparecem com uma casa decimal só para leitura — a conta usa a quantidade exata.
Custo por quilômetro e o preço de empate
A cada 100 km, o elétrico do caso padrão gasta R$ 14,29 e o carro a gasolina, R$ 57,27. Outra forma de ler a mesma comparação é perguntar em que preço os dois empatam: rodar de elétrico só custaria o mesmo que rodar de gasolina se o kWh chegasse a R$ 3,61; do outro lado, a gasolina teria de cair para R$ 1,57 o litro para empatar com o elétrico carregado a R$ 0,90. A calculadora mostra os dois preços de empate para os seus números, o que ajuda a decidir, por exemplo, se vale carregar num carregador pago na estrada.
Tabelas: custo por quilometragem, unidades e perdas de referência
A economia cresce na proporção dos quilômetros: de R$ 214,93 por mês com 500 km a R$ 1.289,61 com 3.000 km, mantidos o consumo e os preços do caso padrão. Quanto mais você roda, mais cedo a diferença de compra se paga.
| Km por mês | Elétrico | Gasolina | Economia | Diferença paga em |
|---|---|---|---|---|
| 500 km | R$ 71,43 | R$ 286,36 | R$ 214,93 | 15 anos e 7 meses |
| 1.000 km | R$ 142,86 | R$ 572,73 | R$ 429,87 | 7 anos e 10 meses |
| 1.500 km | R$ 214,29 | R$ 859,09 | R$ 644,80 | 5 anos e 3 meses |
| 2.000 km | R$ 285,71 | R$ 1.145,45 | R$ 859,74 | 3 anos e 11 meses |
| 3.000 km | R$ 428,57 | R$ 1.718,18 | R$ 1.289,61 | 2 anos e 8 meses |
- Elétrico
- Gasolina
Ver os dados em tabela
| Km por mês | Elétrico | Gasolina |
|---|---|---|
| 500 km | R$ 71,43 | R$ 286,36 |
| 1.000 km | R$ 142,86 | R$ 572,73 |
| 1.500 km | R$ 214,29 | R$ 859,09 |
| 2.000 km | R$ 285,71 | R$ 1.145,45 |
| 3.000 km | R$ 428,57 | R$ 1.718,18 |
As três unidades de consumo do elétrico
O mesmo carro aparece com números diferentes conforme a fonte. O painel mostra km/kWh ou kWh/100 km, conforme o carro; fichas técnicas também usam kWh/100 km; a tabela do PBE Veicular do Inmetro, MJ/km. A calculadora aceita as três e converte por dentro. Para o elétrico do caso padrão, de 7 km/kWh, a correspondência é esta:
A unidade não diz onde a energia foi medida, e é isso que decide se a perda da recarga entra na conta. O painel mede a energia que sai da bateria. No ciclo europeu WLTP, o consumo homologado é a energia que o carro puxou da rede — medida entre o carregador e a tomada — dividida pela autonomia: a perda já está dentro. Por isso, número com o ciclo WLTP declarado vai com a origem "medido na tomada ou consumo WLTP"; somar a perda de novo encareceria o elétrico sem motivo. Já a ficha técnica de carro vendido no Brasil pode trazer o número do PBE Veicular do Inmetro, cuja tabela não diz onde a energia foi medida. Para esse número, ou para ficha que não declara o ciclo, a opção do painel, que soma a perda, é a prudente.
| Unidade | Onde aparece | Caso padrão | Conversão |
|---|---|---|---|
| km/kWh | Painel do carro | 7 | km rodados ÷ kWh gastos |
| kWh/100 km | Painel, conforme o carro, e fichas técnicas (as de ciclo WLTP, medidas na tomada) | 14,29 | 100 ÷ km/kWh |
| MJ/km | Tabela do PBE Veicular (Inmetro) | 0,514 | 3,6 ÷ km/kWh |
Perdas de recarga de referência
Não há publicação brasileira oficial sobre a perda na recarga. A referência governamental disponível é o fueleconomy.gov, mantido pelo Departamento de Energia dos EUA com a EPA: eficiência de recarga entre 84% e 93%, e perdas de carregamento de 10% na estrada e 16% na cidade. A tabela abaixo mostra o que cada uma faz com o custo do caso padrão.
| Perda | Fator | Energia da tomada | Custo por mês | Tarifa de empate |
|---|---|---|---|---|
| 0% (ignorar a perda) | 1,0 | 142,9 kWh | R$ 128,57 | R$ 4,01 |
| 10% | 1,111 | 158,7 kWh | R$ 142,86 | R$ 3,61 |
| 16% | 1,19 | 170,1 kWh | R$ 153,06 | R$ 3,37 |
Exemplo prático: em quanto tempo a diferença de preço se paga
Um elétrico que custa R$ 40.000,00 a mais e economiza R$ 5.158,44 por ano leva 7 anos e 10 meses para devolver a diferença. Se o seu estado isentar o elétrico de um IPVA de R$ 4.000,00 por ano, o prazo cai para 4 anos e 5 meses.
O exemplo usa as entradas do caso padrão e acrescenta dois preços de compra hipotéticos: R$ 160.000,00 pelo elétrico e R$ 120.000,00 pelo carro a gasolina. Nenhum dos dois é preço de modelo real; são números redondos, escolhidos para a conta ficar fácil de conferir.
- A diferença de compra é de R$ 40.000,00. É o que o elétrico precisa devolver em economia.
- A economia anual é de R$ 5.158,44: os R$ 429,87 por mês vezes doze.
- O prazo é a diferença dividida pela economia anual, contado em meses e arredondado para cima: 94 meses, ou 7 anos e 10 meses. Arredondar para cima é deliberado — no mês anterior a diferença ainda não está paga.
- O saldo ao fim de dez anos, já descontada a diferença de compra, é de R$ 11.584,40, com os preços de hoje.
E se o estado isentar o elétrico de IPVA?
Suponha que o carro a gasolina pague R$ 4.000,00 de IPVA por ano e o elétrico, nada. A economia anual passa a R$ 9.158,44, e a diferença de compra se paga em 53 meses — 4 anos e 5 meses. Esse valor de IPVA é hipotético: a isenção e a redução para elétricos existem em alguns estados, com regras que mudam por lei estadual. Consulte a Secretaria da Fazenda do seu estado e digite o seu valor.
- Sem IPVA na conta
- Com R$ 4.000,00 de IPVA a menos por ano
Ver os dados em tabela
| Ano | Sem IPVA na conta | Com R$ 4.000,00 de IPVA a menos por ano |
|---|---|---|
| Ano 1 | -R$ 34.841,56 | -R$ 30.841,56 |
| Ano 2 | -R$ 29.683,12 | -R$ 21.683,12 |
| Ano 3 | -R$ 24.524,68 | -R$ 12.524,68 |
| Ano 4 | -R$ 19.366,24 | -R$ 3.366,24 |
| Ano 5 | -R$ 14.207,80 | R$ 5.792,20 |
| Ano 6 | -R$ 9.049,36 | R$ 14.950,64 |
| Ano 7 | -R$ 3.890,92 | R$ 24.109,08 |
| Ano 8 | R$ 1.267,52 | R$ 33.267,52 |
| Ano 9 | R$ 6.425,96 | R$ 42.425,96 |
| Ano 10 | R$ 11.584,40 | R$ 51.584,40 |
A linha cruza o zero no ano em que a diferença termina de se pagar. Antes disso, o saldo negativo é a parte do preço de compra que a economia ainda não devolveu. Depois, é dinheiro que ficou no seu bolso — desde que o carro não se desvalorize mais que o outro, o que esta conta não mede.
A perda na recarga: a energia que a tomada cobra e a bateria não recebe
Ignorar a perda faz o elétrico do caso padrão parecer custar R$ 128,57 por mês, quando custa R$ 142,86: R$ 14,29 a menos, ou 10,0% do custo real da energia.
Quando o carro carrega, a energia da rede passa pelo carregador, é convertida de corrente alternada em contínua e entra na bateria, que resiste mais à carga quanto mais cheia está. Nesse caminho, parte da energia vira calor. O medidor da sua casa registra a energia que saiu da tomada; o painel do carro registra a que saiu da bateria. Você paga a primeira; multiplicar a segunda pela tarifa subestima a conta.
Com a perda da cidade no diagrama do fueleconomy.gov, de 16%, o custo mensal do caso padrão sobe para R$ 153,06 — R$ 10,20 a mais que com o padrão de 10%. Por isso o campo é editável: quem carrega devagar, em tomada comum, em dia quente ou frio, pode perder mais; quem usa um carregador de parede eficiente pode perder menos.
Se o seu carregador mostra os kWh que saíram da rede, você não precisa estimar nada: divida esses kWh pelos km rodados, marque "medido na tomada" e a calculadora deixa de somar a perda. Com os mesmos 7 km/kWh medidos na tomada, o custo do caso padrão seria R$ 128,57.
Casos de borda: quando a conta muda
São oito situações que mudam o resultado — recarga paga, energia solar, consumo medido na tomada, pouca quilometragem, etanol, elétrico mais caro para rodar, elétrico mais barato na compra e o efeito do clima e do trajeto.
Você carrega fora de casa, pagando por kWh
Digite no campo da tarifa o preço cobrado pelo carregador, e não o da sua conta. Numa simulação com recarga a R$ 2,00 por kWh, mantidas as outras entradas do caso padrão, o elétrico gastaria R$ 317,46 por mês, e a economia cairia para R$ 255,27. Quem carrega parte em casa e parte na rua pode usar a média ponderada das duas tarifas pelos kWh de cada uma.
Você tem energia solar em casa
Se a geração cobre a recarga, o custo marginal da energia é perto de zero — digite a tarifa como 0 e a economia vira o gasto inteiro com gasolina: R$ 572,73 por mês no caso padrão. Na prática, o kWh usado no carro deixa de ser compensado na conta, então o custo real é o que você deixaria de abater. Se não souber, use a tarifa cheia como teto.
O consumo que você tem foi medido na tomada
Carregadores de parede com medidor e alguns aplicativos mostram os kWh que saíram da rede. Dividindo esses kWh pelos km rodados, a perda da recarga já está dentro do número. Marque "medido na tomada ou consumo WLTP" e a calculadora não soma perda de novo: no caso padrão o custo cai para R$ 128,57, porque os 7 km/kWh passam a ser o consumo total. Vale o mesmo para o consumo declarado no ciclo europeu WLTP, que o ensaio mede entre o carregador e a rede. Ficha técnica que não diz o ciclo, ou que traz o número do Inmetro, não entra aqui: para ela, a opção prudente é a do painel.
Você roda pouco
A economia é proporcional aos quilômetros: com 500 km por mês ela é de R$ 214,93, contra R$ 1.289,61 com 3.000 km. Quem roda pouco leva mais tempo para recuperar a diferença de compra, e o payback pode passar do tempo em que você pretende ficar com o carro.
Você abastece com etanol
Digite o preço e o consumo do etanol nos campos do combustível: a conta é a mesma, litro a litro. Não misture o consumo de um combustível com o preço do outro — o km/l do etanol é menor que o da gasolina no mesmo carro, porque o litro de etanol carrega menos energia, e é isso que decide qual dos dois compensa no posto.
O elétrico sai mais caro para rodar
Acontece com tarifa alta, perda alta e carro a combustão econômico. A calculadora mostra a diferença como gasto a mais e informa que a diferença de compra nunca se paga, em vez de devolver um prazo negativo. A tarifa de empate diz a partir de que preço do kWh isso acontece: R$ 3,61 no caso padrão.
O elétrico custa menos na compra
Se o preço do elétrico for igual ou menor que o do carro a combustão, não há diferença a recuperar e o payback é imediato. O que ele custar a menos na compra entra no saldo ano a ano como vantagem, somada à economia de uso — ou reduzida por ela, se o elétrico sair mais caro para rodar.
Inverno, ar-condicionado e estrada
O consumo do elétrico piora com frio, com climatização e em velocidade alta de estrada; o do carro a combustão piora no trânsito parado. Use o consumo do seu trajeto típico. Para carros a combustão, um documento do PBE Veicular sobre o programa de 2010 descreve a adoção de fatores de ajuste da agência ambiental dos EUA (EPA) que indicam 90% dos usuários dentro de mais ou menos 20% do consumo declarado. O documento não trata do elétrico, mas mostra que etiqueta e uso real se afastam — o seu número pode ficar longe do declarado.
O que esta página escolhe, e por quê
São quatro escolhas em que as comparações divergem. Em vez de escondê-las atrás de um número único, mostramos o que circula, o que adotamos e o motivo.
A perda da recarga
O que circula: Multiplicar o consumo do painel pela tarifa e parar por aí, como se toda a energia paga chegasse à bateria.
O que esta página adota: Somamos a perda quando o consumo veio do painel, com 10% como padrão e o campo aberto para você mudar. No caso padrão, ignorar a perda daria R$ 128,57 em vez de R$ 142,86: R$ 14,29 a menos por mês, ou 10,0% do custo real da energia.
Por quê: O Departamento de Energia dos EUA, no fueleconomy.gov, registra eficiência de recarga entre 84% e 93%, e perdas de 10% na estrada e 16% na cidade. Não há publicação brasileira oficial com esse percentual; usamos a fonte governamental que existe e deixamos o número editável.
Somar 10% por cima ou dividir pela eficiência
O que circula: Somar a perda como porcentagem por cima do consumo: consumo × (1 + perda).
O que esta página adota: Dividimos por (1 − perda). Com 10%, o fator é 1,111, e não 1,1.
Por quê: Eficiência de recarga é a fração da energia TIRADA DA REDE que chega à bateria. Se 90% chega, a rede precisa entregar a energia da bateria dividida por 90%. Somar a porcentagem por cima trata a perda como fração da energia da bateria, que é outra grandeza, e subestima a conta: com 10% de perda, o fator cai de 1,111 para 1,1.
A tabela do Inmetro já inclui a perda?
O que circula: Há quem trate o número da etiqueta como "consumo da tomada" e quem o trate como consumo da bateria.
O que esta página adota: Não afirmamos nenhum dos dois. A calculadora aceita MJ/km, a unidade da tabela, e pergunta de onde veio o seu número. Para o número da etiqueta, a opção que soma a perda é a mais prudente: se a perda já estiver dentro, ela entra duas vezes e o custo do elétrico sai maior na proporção da perda escolhida — o erro é superestimar o elétrico, e não o contrário. Vale o mesmo para a ficha técnica que traz o número do Inmetro ou não diz de que ciclo ele é. Só se você souber que o ensaio mediu na tomada — como no ciclo WLTP — marque "medido na tomada ou consumo WLTP".
Por quê: A tabela do PBE Veicular publica o consumo do elétrico em MJ/km e em km/l equivalente, sem dizer, no próprio documento, se a energia foi medida na tomada ou na bateria. Afirmar uma das duas coisas sem a fonte dizer seria inventar.
Depreciação, seguro e manutenção
O que circula: Comparativos que "provam" que o elétrico compensa ou não compensa com um custo total de propriedade fechado, incluindo revenda, seguro e revisões.
O que esta página adota: Calculamos o que dá para calcular com o dado que você tem: energia, combustível, IPVA e a diferença de compra. Revenda, seguro e manutenção ficam de fora, e a página diz isso.
Por quê: Não existe série oficial de valor de revenda de elétrico usado no Brasil, e seguro e revisão dependem de cotação e do plano do fabricante. Um número estimado aqui entraria na decisão ao lado dos números calculados, sem se distinguir deles — e seria o único inventado da página.
Base legal e técnica
O cálculo se apoia em sete referências oficiais, com link para o original: a Constituição para o IPVA diferenciado, a ANEEL para o acréscimo da bandeira tarifária, o Inmetro para o consumo declarado, o regulamento europeu do WLTP para o que o consumo desse ciclo mede e o fueleconomy.gov, do governo dos EUA, para a perda na recarga.
- Constituição Federal, art. 155, § 6º, II (redação da Emenda Constitucional nº 132/2023)
- O IPVA "poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do valor, da utilização e do impacto ambiental". É a base constitucional para o estado tratar o elétrico de forma diferente — mas a alíquota, a isenção e a redução estão na lei de cada estado. Por isso o IPVA entra aqui como valor digitado por você.
- ANEEL — Bandeiras tarifárias
- A bandeira tarifária "é uma forma diferente de apresentar um custo que já estava na conta de energia" e funciona como um acréscimo por kWh consumido nos meses de bandeira amarela ou vermelha, com o valor de cada patamar publicado pela ANEEL. A página não diz se esse acréscimo aparece embutido no preço do kWh ou numa linha separada da fatura; por isso a calculadora pede que você confira a sua fatura e some o acréscimo ao kWh quando ele vier à parte.
- Inmetro — Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE Veicular)
- Publica o consumo de cada modelo participante, com o dos elétricos em MJ/km e em km/l equivalente. Para usar o número da tabela aqui, escolha a unidade MJ/km: a calculadora divide por 3,6 para chegar a kWh.
- Inmetro — Metodologia para divulgação de dados de consumo veicular
- Documento do PBE Veicular sobre o programa de 2010 — o arquivo não traz data de publicação — que trata da etiqueta dos carros a combustão, em km/l. Explica que os valores de laboratório passaram a ser divulgados também corrigidos por fatores de ajuste da agência ambiental dos EUA (EPA), que indicam 90% dos usuários dentro de mais ou menos 20% do consumo declarado. Não trata do elétrico; citamos como referência geral de que etiqueta e uso real se afastam, e é a razão para preferir o consumo do seu próprio uso sempre que você o tiver.
- Regulamento (UE) 2017/1151, Anexo XXI (procedimento WLTP), Subanexo 8, §§ 3.4.4.3.2 e 4.3.4.2
- Define o consumo homologado do elétrico como a energia recarregada "from the mains" — medida por um equipamento colocado "between the vehicle charger and the mains" — dividida pela autonomia elétrica. É por isso que o consumo declarado no ciclo WLTP já traz a perda da recarga e entra aqui com a origem "medido na tomada ou consumo WLTP". A regra é europeia: não vale para o número do Inmetro nem para ficha técnica que não declara o ciclo.
- fueleconomy.gov — All-Electric Vehicles (Departamento de Energia dos EUA e EPA)
- Registra que a eficiência de recarga da bateria costuma ficar entre 84% e 93%, segundo estudos publicados. É a fonte da faixa de perda usada nesta página.
- fueleconomy.gov — Where the Energy Goes: Electric Cars
- Mostra as perdas de carregamento como parte do caminho da energia da rede até as rodas: 10% na estrada e 16% na cidade. O padrão desta calculadora é o menor dos dois.
Fontes da perda na recarga
- All-Electric Vehicles — fueleconomy.gov — Departamento de Energia dos EUA e EPA
- Where the Energy Goes: Electric Cars — fueleconomy.gov — Departamento de Energia dos EUA e EPA
O IPVA não tem valor pré-preenchido nesta calculadora, e isso é deliberado: a alíquota, a isenção e a redução para elétricos estão na lei de cada estado e mudam com frequência. Publicar um número aqui seria prometer um benefício que pode não valer onde você mora.
Perguntas frequentes sobre carro elétrico ou a gasolina
São 24 dúvidas, das que vêm antes da compra às que só aparecem depois da primeira conta de luz com o carro na tomada. As respostas abaixo são as mesmas declaradas no schema desta página.
Carro elétrico vale a pena?
Quanto custa carregar um carro elétrico em casa?
Qual o custo por km de um carro elétrico?
O que é a perda na recarga?
Por que a calculadora divide por (1 − perda) em vez de somar a porcentagem?
Quanto a perda muda o resultado?
Que tarifa de energia devo usar?
Preciso informar a bandeira tarifária?
A partir de que tarifa o elétrico deixa de compensar?
E a partir de que preço da gasolina o carro a combustão empataria?
Onde encontro o consumo do meu elétrico?
Como converto MJ/km da tabela do Inmetro em km/kWh?
Posso usar o consumo da etiqueta do Inmetro?
Como é calculado o payback?
Carro elétrico paga IPVA?
Quanto a isenção de IPVA muda o payback?
Vale a pena carregar em carregador público pago?
Com energia solar o carro elétrico sai de graça?
A calculadora considera depreciação, seguro e manutenção?
E o custo de instalar um carregador em casa?
A economia com o elétrico aumenta se eu rodar mais?
Serve para comparar com carro flex abastecido com etanol?
A projeção considera aumento da gasolina ou da energia?
Meus dados ficam salvos em algum lugar?
Calculadoras relacionadas
Trocar de carro é uma decisão de orçamento. Estas calculadoras mostram quanto o carro custa por mês, se o álcool compensa para quem fica no motor a combustão, quanto sai o IPVA e quanto a recarga em casa pesa na conta de luz.
- Custo do carroO custo de manter um carro é a soma do que é anual dividido por 12 — IPVA, licenciamento, seguro, manutenção e pneus —, do combustível que a sua quilometragem consome e da depreciação. Dividido pelos quilômetros do mês, o mesmo total vira o custo por km.
- Álcool ou gasolinaCompensa o combustível mais barato por quilômetro: divida o preço do etanol pelo da gasolina e compare com a razão entre o km/l do carro com cada um. A calculadora faz as duas contas, mostra o custo por km dos dois lados e a economia por tanque.
- IPVAO IPVA é o valor venal do veículo, publicado pela Sefaz, multiplicado pela alíquota do estado. A alíquota muda por estado, por tipo de veículo e, em alguns, pelo combustível; carro antigo pode ser isento, e a idade de isenção também muda de estado para estado.
- Conta de luzO consumo de cada aparelho é a potência em watts vezes as horas de uso e os dias do mês, dividido por mil. A conta é esse consumo vezes a tarifa com bandeira, dividido por um menos a soma de ICMS, PIS e COFINS — porque os tributos são cobrados por dentro.
Aviso importante
Esta calculadora é informativa e educacional. O resultado é uma estimativa com os números que você informar e não substitui a análise da sua situação.