Quanto preciso juntar para viver de renda
Para viver de R$ 5.000,00 por mês sem perder poder de compra, você precisa de R$ 860.488,15 investidos a 7,2% ao ano acima da inflação — a taxa real que o Tesouro pagava em 25 de setembro de 2026. Pela regra dos 4%, mais conservadora, seriam R$ 1.500.000,00. A conta é a renda mensal dividida pelo rendimento real mensal, e a calculadora abaixo mostra também em quanto tempo você chega lá.
Taxas do Tesouro Direto de , conferidas no arquivo oficial em . Última revisão das tabelas fiscais do site: .
Calcule o seu patrimônio-alvo e o prazo
Informe a renda que você quer, o rendimento real que vai consumir, o que já tem investido, quanto consegue aportar por mês e a rentabilidade real esperada. O patrimônio-alvo e o prazo aparecem na hora.
R$ 5.000,00 ÷ 0,5811% ao mês (equivalente a 7,2% ao ano) = R$ 860.488,15
O rendimento real de 7,2% ao ano equivale a 0,5811% ao mês. O alvo de R$ 860.488,15 é 14,3 vezes a renda de um ano, e o saque de um ano equivale a 6,97% dele. Pela regra dos 4%, que consome o principal, seriam R$ 1.500.000,00. O que você já tem, R$ 20.000,00, sustentaria hoje R$ 116,21 por mês — 2,32% do caminho.
Rendendo 7,2% ao ano acima da inflação, ou 0,5811% ao mês, o saldo passa do alvo no mês 241, com R$ 865.644,30. Desse total, R$ 381.500,00 saíram do seu bolso e R$ 484.144,30 são rendimento.
- Patrimônio acumulado
- Só o que você aportou
Ver os dados em tabela
| Momento | Patrimônio acumulado | Só o que você aportou |
|---|---|---|
| ano 0 | R$ 20.000,00 | R$ 20.000,00 |
| ano 1 | R$ 40.026,54 | R$ 38.000,00 |
| ano 2 | R$ 61.495,00 | R$ 56.000,00 |
| ano 3 | R$ 84.509,18 | R$ 74.000,00 |
| ano 4 | R$ 109.180,39 | R$ 92.000,00 |
| ano 5 | R$ 135.627,92 | R$ 110.000,00 |
| ano 6 | R$ 163.979,68 | R$ 128.000,00 |
| ano 7 | R$ 194.372,76 | R$ 146.000,00 |
| ano 8 | R$ 226.954,14 | R$ 164.000,00 |
| ano 9 | R$ 261.881,38 | R$ 182.000,00 |
| ano 10 | R$ 299.323,38 | R$ 200.000,00 |
| ano 11 | R$ 339.461,21 | R$ 218.000,00 |
| ano 12 | R$ 382.488,96 | R$ 236.000,00 |
| ano 13 | R$ 428.614,70 | R$ 254.000,00 |
| ano 14 | R$ 478.061,52 | R$ 272.000,00 |
| ano 15 | R$ 531.068,49 | R$ 290.000,00 |
| ano 16 | R$ 587.891,96 | R$ 308.000,00 |
| ano 17 | R$ 648.806,73 | R$ 326.000,00 |
| ano 18 | R$ 714.107,35 | R$ 344.000,00 |
| ano 19 | R$ 784.109,62 | R$ 362.000,00 |
| ano 20 | R$ 859.152,07 | R$ 380.000,00 |
| mês 241 | R$ 865.644,30 | R$ 381.500,00 |
- Patrimônio inicial e aportesR$ 381.500,00
- Rendimento realR$ 484.144,30
Ver os dados em tabela
| Patrimônio final | Valor | % do total |
|---|---|---|
| Patrimônio inicial e aportes | R$ 381.500,00 | 44,1% |
| Rendimento real | R$ 484.144,30 | 55,9% |
| Total | R$ 865.644,30 | 100% |
Como o patrimônio para viver de renda é calculado
O patrimônio-alvo é a renda mensal dividida pelo rendimento real mensal. Com 7,2% ao ano, a taxa mensal equivalente é 0,5811%, e R$ 5.000,00 por mês exigem R$ 860.488,15.
A fórmula cabe em uma linha: patrimônio-alvo = renda mensal ÷ rendimento real mensal. Ela descreve um patrimônio que rende, todo mês e acima da inflação, exatamente o que você saca. O que sobra continua com o mesmo poder de compra, e a renda pode durar indefinidamente — é o que os livros de matemática financeira chamam de perpetuidade.
- Escolha o rendimento real que você vai consumir, acima da inflação. É o juro real que o patrimônio rende e que você saca, sem tocar no principal. A calculadora sugere 7,2% ao ano, a taxa real que o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 pagava em 25 de setembro de 2026, e deixa o campo aberto para você trocar.
- Converta a taxa anual em taxa mensal equivalente. Como a renda é sacada todo mês, a taxa precisa ser mensal. Em juros compostos ela não é a anual dividida por doze: 7,2% ao ano equivalem a 0,5811% ao mês, e não a 0,6000%.
- Divida a renda mensal pela taxa mensal. O resultado é o patrimônio-alvo: o valor que rende, por mês e acima da inflação, exatamente a renda que você quer. Para R$ 5.000,00 por mês, são R$ 860.488,15.
- Projete o patrimônio atual e os aportes com juros compostos. Com a rentabilidade real que você informar, o patrimônio de hoje cresce mês a mês e cada aporte entra no fim do mês. O prazo é o primeiro mês em que esse saldo alcança o alvo — no exemplo, 20 anos e 1 mês.
Por que a taxa precisa ser real
Taxa real é o que o dinheiro rende acima da inflação. A taxa nominal — a do CDI, da poupança ou de um título prefixado — inclui a reposição da inflação, e essa parte não pode ser gasta: ela só mantém o patrimônio do tamanho que ele tinha. Quem divide a renda desejada pela taxa nominal e gasta tudo o que rende vê o patrimônio encolher em poder de compra todo ano, e a renda encolher junto.
Dá para medir o erro. O Tesouro Prefixado 2032 pagava 14,13% ao ano em 25 de setembro de 2026. Usada como rendimento, ela daria um alvo de R$ 451.472,39 para R$ 5.000,00 por mês, contra R$ 860.488,15 pela taxa real: R$ 409.015,76 a menos, ou 47,53% do alvo correto. É exatamente o erro que esta calculadora foi desenhada para não cometer.
Por que a taxa mensal não é a anual dividida por doze
Em juros compostos, o rendimento de um mês passa a render no mês seguinte. Por isso a taxa mensal equivalente a 7,2% ao ano é 0,5811%, e não 0,6000%. A divisão por doze parece inofensiva, mas usa uma taxa mensal maior que a verdadeira e faz o patrimônio-alvo parecer menor.
O mesmo engano aparece no atalho "renda mensal vezes doze, dividido pelo rendimento anual", que dá R$ 833.333,33 no caso padrão. Ele supõe que a renda do ano inteiro sai de uma vez, no fim do ano; quem vive de renda saca todo mês, e o dinheiro sacado deixa de render. A diferença para o cálculo mensal é de R$ 27.154,82. O alvo correto equivale a 14,3 vezes a renda de um ano, e o saque de um ano corresponde a 6,97% dele — um pouco menos que os 7,2% de rendimento, justamente porque o patrimônio não pode ser tocado.
A taxa real de referência: o Tesouro atrelado ao IPCA
A calculadora sugere 7,2% ao ano, a taxa real de compra do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 — a NTN-B, no nome técnico — em 25 de setembro de 2026, segundo o Tesouro Nacional. É o juro acima da inflação que o governo federal pagava naquele dia na NTN-B de prazo mais longo.
Os títulos do Tesouro atrelados ao IPCA pagam a inflação oficial mais uma taxa fixa, combinada no dia da compra. Essa taxa fixa é, literalmente, um juro real negociado em público — e por isso serve de parâmetro honesto para a pergunta desta página. A tabela abaixo reproduz as taxas de compra publicadas pelo Tesouro Nacional para a data-base de para todos os títulos Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais ofertados naquele dia. A referência é o título com juros semestrais de vencimento mais distante.
| Título | Vencimento | Taxa de compra |
|---|---|---|
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2030 | IPCA + 7,65% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2032 | IPCA + 7,63% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2035 | IPCA + 7,56% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2037 | IPCA + 7,50% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2040 | IPCA + 7,35% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2045 | IPCA + 7,31% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2050 | IPCA + 7,26% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2055 | IPCA + 7,19% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2060 | IPCA + 7,20% |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2029 | IPCA + 7,52% |
| Tesouro IPCA+ | 15/08/2032 | IPCA + 7,65% |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2035 | IPCA + 7,56% |
| Tesouro IPCA+ | 15/08/2040 | IPCA + 7,27% |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2045 | IPCA + 7,22% |
| Tesouro IPCA+ | 15/08/2050 | IPCA + 7,14% |
Naquele dia o Tesouro também ofertava o Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra e o Tesouro Educa+, igualmente atrelados ao IPCA, com taxas de compra entre 7,03% e 7,63% acima da inflação. Alguns vencem depois da NTN-B de referência — o mais distante é o Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2084. Eles ficam fora da tabela porque têm finalidade específica: devolvem o dinheiro em parcelas mensais a partir de uma data de conversão, para complementar a aposentadoria ou pagar a educação, e não servem de régua para uma renda perpétua.
Entre as NTN-B, escolhemos o vencimento mais longo porque quem vive de renda pensa em décadas, não em anos. Nenhum título, porém, trava a taxa para sempre: no vencimento, o dinheiro volta e precisa ser reinvestido à taxa daquele dia, que pode ser maior ou menor. Esse risco de reinvestimento é um dos motivos para informar um rendimento abaixo da taxa do Tesouro.
A taxa do Tesouro é bruta
O imposto de renda sobre renda fixa segue uma tabela regressiva por prazo e incide sobre o ganho nominal, inflação inclusive — não só sobre o juro real. Isso quer dizer que o imposto tira da taxa real uma fatia que depende da inflação do período, que ninguém conhece de antemão. A calculadora não desconta imposto nem taxas; a tabela abaixo está aqui para você saber que a renda líquida é menor que a bruta mostrada.
| Prazo da aplicação | Alíquota |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
A regra dos 4% e o peso do rendimento
A regra dos 4% vem de um estudo americano de 1998 e divide o gasto de um ano por 4%: para R$ 5.000,00 por mês, pede R$ 1.500.000,00, 25 vezes a renda anual. Pela taxa do Tesouro do dia, o alvo é R$ 860.488,15: R$ 639.511,85 a menos.
A regra nasceu do Trinity Study, publicado em 1998 por três professores da Trinity University, no Texas. Eles testaram, com dados históricos do mercado americano, por quanto tempo carteiras de ações e títulos resistiam a saques anuais corrigidos pela inflação. Sacando 4% no primeiro ano, as carteiras com ações duraram 30 anos na maior parte dos períodos testados.
Três diferenças separam a regra desta calculadora. Primeiro, ela consome o principal: o objetivo era a carteira durar 30 anos, não para sempre. Segundo, a carteira tinha ações americanas, com o risco e o retorno delas. Terceiro, o juro real brasileiro negociado no Tesouro tem outro patamar — 7,2% ao ano na data-base —, com imposto sobre o ganho nominal e histórico de oscilação. Por isso a regra aparece aqui como referência conservadora, lado a lado, e não como lei.
A regra e esta calculadora também medem coisas diferentes. No estudo, a taxa de retirada é o saque de um ano dividido pelo patrimônio inicial: 4% de saque pedem 25 vezes o gasto anual, ou R$ 1.500.000,00 para R$ 5.000,00 por mês. Aqui, o campo é o rendimento real que o patrimônio rende e você consome, sem tocar no principal. Por isso digitar 4% no campo não reproduz a regra: dá R$ 1.527.305,26, ou 25,5 vezes a renda anual, porque aqui o saque é mensal e o principal nunca é tocado.
| Rendimento ao ano | Ao mês | Saque anual ÷ alvo | Patrimônio-alvo | Vezes a renda anual |
|---|---|---|---|---|
| 3% | 0,2466% | 2,96% | R$ 2.027.353,23 | 33,8× |
| 4% | 0,3274% | 3,93% | R$ 1.527.305,26 | 25,5× |
| 5% | 0,4074% | 4,89% | R$ 1.227.257,75 | 20,5× |
| 6% | 0,4868% | 5,84% | R$ 1.027.210,70 | 17,1× |
| 7,2% (Tesouro, 25/09/2026) | 0,5811% | 6,97% | R$ 860.488,15 | 14,3× |
- Patrimônio-alvo
Ver os dados em tabela
| Rendimento real | Patrimônio-alvo |
|---|---|
| 3% | R$ 2.027.353,23 |
| 4% | R$ 1.527.305,26 |
| 5% | R$ 1.227.257,75 |
| 6% | R$ 1.027.210,70 |
| 7,2% | R$ 860.488,15 |
A relação é inversa: passar de 6% para 3% multiplica o patrimônio necessário por 1,97. Escolher uma taxa abaixo da do Tesouro é a forma de deixar margem para imposto, custos, anos de juro mais baixo e gastos inesperados — e a tabela mostra exatamente quanto patrimônio cada ponto de margem custa.
Exemplo prático: R$ 5.000,00 por mês
Quem tem R$ 20.000,00, aporta R$ 1.500,00 por mês e rende 7,2% ao ano acima da inflação chega aos R$ 860.488,15 em 20 anos e 1 mês. Desse total, 55,93% são rendimento.
O exemplo usa os números que a calculadora já mostra sem clique. O alvo, pelo rendimento real de 7,2%, é R$ 860.488,15. Os R$ 20.000,00 de hoje já sustentariam R$ 116,21 por mês — 2,32% do caminho — e faltam R$ 840.488,15.
- Converta a rentabilidade. 7,2% ao ano acima da inflação equivalem a 0,5811% ao mês.
- Projete mês a mês. O saldo de cada mês é o do mês anterior com o rendimento, mais o aporte de R$ 1.500,00 no fim do mês.
- Pare no primeiro mês que passa do alvo. É o mês 241, ou 20 anos e 1 mês, com saldo de R$ 865.644,30.
- Separe o que é seu e o que é juro. Você terá aportado R$ 381.500,00, contando o patrimônio inicial; os outros R$ 484.144,30 são rendimento real.
- Patrimônio acumulado
- Só o que foi aportado
Ver os dados em tabela
| Momento | Patrimônio acumulado | Só o que foi aportado |
|---|---|---|
| ano 0 | R$ 20.000,00 | R$ 20.000,00 |
| ano 2 | R$ 61.495,00 | R$ 56.000,00 |
| ano 4 | R$ 109.180,39 | R$ 92.000,00 |
| ano 6 | R$ 163.979,68 | R$ 128.000,00 |
| ano 8 | R$ 226.954,14 | R$ 164.000,00 |
| ano 10 | R$ 299.323,38 | R$ 200.000,00 |
| ano 12 | R$ 382.488,96 | R$ 236.000,00 |
| ano 14 | R$ 478.061,52 | R$ 272.000,00 |
| ano 16 | R$ 587.891,96 | R$ 308.000,00 |
| ano 18 | R$ 714.107,35 | R$ 344.000,00 |
| ano 20 | R$ 859.152,07 | R$ 380.000,00 |
| mês 241 | R$ 865.644,30 | R$ 381.500,00 |
| Momento | Aportado | Rendimentos | Patrimônio |
|---|---|---|---|
| Hoje | R$ 20.000,00 | R$ 0,00 | R$ 20.000,00 |
| 5 anos | R$ 110.000,00 | R$ 25.627,92 | R$ 135.627,92 |
| 10 anos | R$ 200.000,00 | R$ 99.323,38 | R$ 299.323,38 |
| 15 anos | R$ 290.000,00 | R$ 241.068,49 | R$ 531.068,49 |
| 20 anos | R$ 380.000,00 | R$ 479.152,07 | R$ 859.152,07 |
| 20 anos e 1 mês | R$ 381.500,00 | R$ 484.144,30 | R$ 865.644,30 |
Repare como a distância entre as duas linhas se abre. No primeiro ano, os rendimentos respondem por 10,12% do que o patrimônio cresce; nos doze meses que terminam no alvo, por 76,15%, e o aporte, pelo resto. É por isso que o prazo depende de quando você começa, e não só de quanto você aporta.
Quanto tempo leva, com outros aportes e rentabilidades
Para o mesmo alvo de R$ 860.488,15, partindo de R$ 20.000,00, a tabela mostra o prazo para cinco aportes e quatro rentabilidades reais. Cada célula é uma chamada ao motor.
| Aporte mensal | 4% a.a. | 5% a.a. | 6% a.a. | 7,2% a.a. |
|---|---|---|---|---|
| R$ 1.000,00 | 32 anos e 7 meses | 29 anos e 3 meses | 26 anos e 8 meses | 24 anos e 3 meses |
| R$ 1.500,00 | 25 anos e 11 meses | 23 anos e 8 meses | 21 anos e 10 meses | 20 anos e 1 mês |
| R$ 2.000,00 | 21 anos e 8 meses | 20 anos | 18 anos e 7 meses | 17 anos e 3 meses |
| R$ 3.000,00 | 16 anos e 4 meses | 15 anos e 4 meses | 14 anos e 6 meses | 13 anos e 7 meses |
| R$ 5.000,00 | 11 anos e 1 mês | 10 anos e 7 meses | 10 anos e 2 meses | 9 anos e 8 meses |
Duas leituras saem da tabela. A primeira: dentro de uma mesma linha, entre as colunas a um ponto de distância, cada ponto de rentabilidade real a menos acrescenta de 5 meses a 3 anos e 4 meses ao prazo. A segunda: descendo uma coluna, aumentar o aporte encurta o prazo, mas não na mesma proporção. Na taxa do Tesouro, dobrar o aporte de R$ 1.500,00 para R$ 3.000,00 leva o prazo de 20 anos e 1 mês para 13 anos e 7 meses, e não para a metade: com prazo menor, os juros têm menos tempo para trabalhar e o seu bolso responde por uma parte maior do alvo.
Casos de borda
São oito situações em que a conta muda de comportamento ou em que a calculadora escolhe não responder com um número. Cada uma está explicada abaixo.
Você já tem o patrimônio-alvo
Se o patrimônio atual é igual ou maior que o alvo, o prazo é zero: pelo rendimento informado, ele já sustenta a renda desejada. O que decide se isso vale na prática é a taxa que você escolheu — com um rendimento menor, o mesmo patrimônio sustenta uma renda menor, e o alvo sobe.
Sem aporte e sem patrimônio
Nada cresce a partir de zero. Sem aporte mensal e sem patrimônio inicial, a calculadora não inventa prazo: ela diz que o alvo não é alcançado e pede um aporte ou um patrimônio de partida.
Rentabilidade real igual a zero
Com juro real zero, o dinheiro só acompanha a inflação e o prazo vira uma divisão simples: o que falta acumular dividido pelo aporte mensal. É o cenário de quem guarda dinheiro corrigido pela inflação sem ganho acima dela — útil como piso de comparação.
Prazo acima de 100 anos
Quando o aporte é pequeno demais para o alvo, a conta pode dar séculos. A calculadora para em 100 anos e responde que, com esses números, o alvo não é alcançado. Um prazo de séculos com cara de exato seria uma resposta falsa, não uma resposta longa.
Rendimento informado maior que o real
Se o patrimônio render acima da inflação menos do que o informado, sacar a renda calculada é sacar mais do que ele rende: o patrimônio encolhe em termos reais a cada mês e um dia acaba. A fórmula de perpetuidade desta página supõe que o saque é igual ao rendimento real. Sacar acima disso é consumir o principal — o que a regra dos 4% faz de propósito, por um prazo definido.
Rendimento perto de zero
Quanto menor o rendimento, maior o alvo, e a relação é inversa: passar de 6% para 3% multiplica o patrimônio necessário por 1,97. Com taxa zero o alvo seria infinito, e por isso o campo não aceita zero.
Aporte que não acompanha a inflação
Esta calculadora trabalha em dinheiro de hoje: o aporte informado é constante em poder de compra, o que em reais correntes significa aumentá-lo pela inflação todo ano. Quem mantém o mesmo valor nominal por décadas aporta, em termos reais, cada vez menos, e leva mais tempo do que o mostrado.
Você digitou uma taxa nominal
Taxa de poupança, de CDI ou de prefixado tem a inflação dentro. Usada aqui, ela encolhe o alvo: com a taxa do Tesouro Prefixado 2032 do mesmo dia, 14,13%, o patrimônio para R$ 5.000,00 por mês cairia para R$ 451.472,39, R$ 409.015,76 a menos que o alvo pela taxa real.
O que esta página escolhe, e por quê
São quatro pontos em que as calculadoras do assunto divergem. Em vez de esconder a escolha atrás de um número único, esta seção mostra o que circula, o que adotamos e o motivo.
Taxa real, e não nominal
O que circula: Há calculadoras e planilhas do assunto que dividem a renda desejada pela taxa do CDI, da Selic ou de um título prefixado.
O que esta página adota: Aqui a taxa é sempre real, acima da inflação. Com a taxa do Tesouro Prefixado 2032 do mesmo dia, o alvo para R$ 5.000,00 por mês sairia R$ 451.472,39; pela taxa real, são R$ 860.488,15.
Por quê: A taxa nominal paga a inflação e mais um pouco. Quem vive dela e gasta tudo o que rende vê o patrimônio perder poder de compra todo ano, e a renda encolher junto. A conta nominal subestima o alvo em 47,53%.
A regra dos 4% não é regra brasileira
O que circula: "Junte 25 vezes o seu gasto anual" e "saque 4% ao ano" aparecem como lei universal da independência financeira.
O que esta página adota: A calculadora sugere a taxa real do Tesouro do dia (7,2% em 25 de setembro de 2026) e mostra, lado a lado, o alvo pela regra dos 4%, calculado como o estudo a define: 25 vezes a renda anual, R$ 1.500.000,00 para R$ 5.000,00 por mês.
Por quê: A regra vem de um estudo americano de 1998, o Trinity Study, que testou carteiras com ações americanas num horizonte de até 30 anos, consumindo o principal. É outro país, outra carteira e outra pergunta — e o juro real brasileiro negociado no Tesouro é um parâmetro público e verificável.
Saque mensal, não anual
O que circula: O atalho "renda mensal vezes doze, dividido pelo rendimento anual".
O que esta página adota: Dividimos a renda mensal pelo rendimento mensal equivalente. No caso padrão, isso dá R$ 860.488,15, contra R$ 833.333,33 do atalho.
Por quê: Para um patrimônio que não pode ser tocado, o atalho supõe que você saca o ano inteiro de uma vez, no fim do ano. Quem vive de renda saca todo mês, e o dinheiro sacado deixa de render até o fim do ano. A diferença, de R$ 27.154,82, é o custo dessa suposição. A regra dos 4% é outra conta: ela é definida sobre o saque anual e aceita consumir o principal, e por isso ali as 25 vezes são a própria regra, não um atalho.
Taxa bruta, sem imposto
O que circula: Simulações que prometem renda "líquida" aplicando uma alíquota fixa sobre o rendimento.
O que esta página adota: A calculadora não desconta imposto de renda nem taxas, e diz isso no resultado e aqui.
Por quê: O imposto da renda fixa incide sobre o ganho NOMINAL, inflação inclusive, com alíquota de 22,5% a 15% conforme o prazo. Quanto isso tira da taxa real depende da inflação futura, que ninguém sabe. Um número "líquido" aqui seria inventado; a tabela de sensibilidade mostra o efeito de taxas menores.
Fontes e base legal
O cálculo é matemática financeira; os números externos saem de quatro fontes, listadas abaixo com link para o original: a base de dados de taxas do Tesouro Nacional, a página pública de preços e taxas, a lei do imposto de renda sobre renda fixa e o artigo do Trinity Study.
- Taxas dos Títulos Ofertados pelo Tesouro Direto — Tesouro Transparente
- Base de dados oficial do Tesouro Nacional com as taxas de compra e venda de todos os títulos do Tesouro Direto, dia a dia. É de onde saem as taxas desta página, na data-base de 25 de setembro de 2026, e a taxa de referência de 7,2% ao ano.
- Tesouro Direto — preços e taxas dos títulos
- A página pública com a taxa do dia de cada título. Como a taxa muda a cada pregão, é ali que se confere o valor de hoje antes de usar a calculadora.
- Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, art. 1º
- Fixa o imposto de renda na fonte sobre aplicações de renda fixa em tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo, com a menor alíquota acima de 720 dias. É por isso que a taxa do Tesouro usada aqui é bruta.
- Cooley, Hubbard e Walz (1998), "Retirement Savings: Choosing a Withdrawal Rate That Is Sustainable"
- O artigo do AAII Journal conhecido como Trinity Study, origem da regra dos 4%. Testou taxas de retirada sobre carteiras de ações e títulos americanos em horizontes de até 30 anos, com dados históricos daquele mercado.
As taxas do Tesouro foram conferidas em contra o arquivo oficial, na data-base de . Quando o arquivo de dados é atualizado, todo o texto desta página muda junto, porque nenhum número aqui é digitado à mão.
Perguntas frequentes sobre viver de renda
São 24 dúvidas, das mais buscadas às que aparecem depois do primeiro cálculo. As respostas abaixo são as mesmas declaradas no schema desta página.
Quanto preciso juntar para receber R$ 5.000,00 por mês?
Quanto preciso ter para receber R$ 10.000,00 por mês?
E para receber R$ 3.000,00 por mês?
Quanto R$ 1.000.000,00 rendem por mês acima da inflação?
O que é taxa de retirada, e por que a calculadora pede o rendimento?
Por que usar a taxa real e não a do CDI ou da poupança?
O que é a regra dos 4%?
A regra dos 4% vale no Brasil?
Digitar 4% na calculadora é o mesmo que seguir a regra dos 4%?
Por que a taxa mensal não é a anual dividida por doze?
De onde vem a taxa sugerida pela calculadora?
A taxa do Tesouro já desconta o imposto de renda?
Quanto tempo vou levar para chegar lá?
Os aportes precisam aumentar com o tempo?
Quanto do patrimônio final vem dos juros?
Tenho um patrimônio pequeno. Ele já serve para alguma coisa?
Por que a calculadora não pergunta a inflação?
O patrimônio-alvo aparece em reais de hoje ou do futuro?
Viver de renda é o mesmo que se aposentar pelo INSS?
Qual a diferença entre esta calculadora e uma de juros compostos?
Posso usar a calculadora para uma renda temporária, por alguns anos?
E se os juros reais caírem no futuro?
A calculadora indica onde investir?
Meus dados ficam salvos em algum lugar?
Calculadoras relacionadas
O rendimento de cada aplicação, com o imposto descontado, está na calculadora de quanto rende; a de juros compostos mostra o caminho mês a mês até o patrimônio; e o aluguel é outra forma de viver de renda, com imposto próprio.
- Quanto rendeO rendimento depende da taxa, do prazo e do imposto. CDB paga Imposto de Renda regressivo, que cai com o prazo; poupança e LCI/LCA de pessoa física são isentas. Comparar pelo líquido é o que mostra qual rende mais.
- Juros compostosJuros compostos rendem juro sobre juro: o total é o valor inicial capitalizado mais a série de aportes mensais acumulada. A taxa anual vira mensal por equivalência, e não dividida por doze — que é o erro que infla as simulações de longo prazo.
- IR sobre aluguelO aluguel recebido é tributado pela tabela progressiva mensal, sobre o que sobra depois do IPTU, do condomínio e da taxa de administração pagos pelo locador. Inquilino pessoa jurídica não gera carnê-leão: quem retém é a empresa locatária.
Aviso importante
Esta calculadora é informativa e educacional. Não é aconselhamento de investimento, e o resultado é uma projeção sob hipóteses, não uma promessa.