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Calculadora do Bem

Calculadora de Ponto de Equilíbrio

O ponto de equilíbrio é o faturamento em que a margem de contribuição paga exatamente os custos fixos: custos fixos ÷ índice de margem de contribuição. Uma pizzaria com R$ 8.000,00 de custo fixo, que vende a R$ 20,00 uma pizza de R$ 10,00 de custo variável, tem margem de 50,0% e empata ao faturar R$ 16.000,00 — 800 pizzas no mês.

Conteúdo revisado em . Ponto de equilíbrio não tem tabela oficial: todos os números são do seu negócio.

Calcule o seu ponto de equilíbrio

Escolha como informar as vendas — por unidade, pelo total do mês ou pela margem em % —, preencha os custos fixos e veja na hora o faturamento de equilíbrio, as unidades e as três variantes. Lucro desejado e depreciação são opcionais.

Ponto de equilíbrio contábil — faturamento no mêsR$ 16.000,00

800 unidades no mês, com margem de 50,0% sobre o preço.

Margem por unidadeR$ 10,00Ponto econômicoR$ 16.000,00Ponto financeiroR$ 16.000,00

O resultado muda na hora e o endereço da página guarda o que você preencheu. Valores mensais, em reais.

Por unidade dá também a quantidade; pelo mês serve para quem vende muitos produtos.

Custo variável é o que só existe quando há venda: mercadoria, embalagem, imposto sobre a venda, comissão, taxa do cartão.

Aluguel, salários, pró-labore, contador, sistemas: o que chega mesmo sem venda.

O lucro desejado entra no ponto econômico; a depreciação sai do ponto financeiro.

Índice de margem de contribuição: (R$ 20,00 − R$ 10,00) ÷ R$ 20,00 = 50,0%.

As três variantes do ponto de equilíbrio, com a conta de cada uma
VarianteComo saiFaturamento
ContábilNumerador: custos fixos de R$ 8.000,00. R$ 8.000,00 ÷ 50,0% = R$ 16.000,00; em unidades, R$ 8.000,00 ÷ R$ 10,00 = 800 (arredondado para cima).R$ 16.000,00800 un.
EconômicoNumerador: R$ 8.000,00 de custos fixos + R$ 0,00 de lucro desejado. R$ 8.000,00 ÷ 50,0% = R$ 16.000,00; em unidades, R$ 8.000,00 ÷ R$ 10,00 = 800 (arredondado para cima).R$ 16.000,00800 un.
FinanceiroNumerador: R$ 8.000,00 de custos fixos − R$ 0,00 que não saem do caixa. R$ 8.000,00 ÷ 50,0% = R$ 16.000,00; em unidades, R$ 8.000,00 ÷ R$ 10,00 = 800 (arredondado para cima).R$ 16.000,00800 un.

Como o ponto de equilíbrio é calculado

Custos fixos divididos pelo índice de margem de contribuição. Na pizzaria do exemplo: R$ 8.000,00 ÷ 50,0% = R$ 16.000,00 por mês.

A fórmula cabe em uma linha: ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ índice de margem de contribuição. O trabalho não está na divisão, e sim nos dois números que entram nela: separar o que é fixo do que é variável, e medir a margem sobre o preço, e não sobre o custo.

  1. Separe o que é fixo do que é variável. Custo variável é o que só existe quando você vende: mercadoria, matéria-prima, embalagem, imposto sobre a venda, comissão, taxa do cartão, frete por entrega. Custo fixo é o que chega mesmo num mês sem venda nenhuma: aluguel, salários, pró-labore, contador, internet, sistema. Na pizzaria do exemplo, são R$ 10,00 de variável por pizza e R$ 8.000,00 de fixo por mês.
  2. Calcule a margem de contribuição. Margem de contribuição = preço de venda − custos e despesas variáveis. É o quanto de cada venda sobra para pagar o custo fixo e, depois dele, virar lucro. Pizza a R$ 20,00 com R$ 10,00 de variável deixa R$ 10,00 de margem.
  3. Transforme a margem em índice. Índice de margem de contribuição = margem ÷ preço de venda. Na pizzaria, R$ 10,00 ÷ R$ 20,00 = 50,0%. O denominador é o PREÇO, e não o custo: dividir pelo custo dá o markup, que é outra coisa e superestima a sobra.
  4. Divida o custo fixo pelo índice. Ponto de equilíbrio contábil = custos fixos ÷ índice de margem. R$ 8.000,00 ÷ 50,0% = R$ 16.000,00 de faturamento por mês. Abaixo disso, o mês fecha no prejuízo; acima, de cada real vendido além do ponto, 50,0% viram lucro.
  5. Converta em unidades, arredondando para cima. Em quantidade, divida o custo fixo pela margem unitária: R$ 8.000,00 ÷ R$ 10,00 = 800 pizzas. Quando a divisão não é exata, a resposta é sempre o inteiro de cima — uma unidade a menos ainda deixa o mês no vermelho.

Margem de contribuição: a peça que decide tudo

A margem de contribuição é o quanto de cada venda fica com a empresa depois de pagar o que só existe porque houve venda. O nome diz o que ela faz: ela contribui para pagar o custo fixo e, quando ele está pago, para formar lucro. Na pizzaria, de cada R$ 20,00 que entram, R$ 10,00 vão embora com ingredientes, caixa, imposto, taxa do cartão e motoboy; sobram R$ 10,00, ou 50,0% do preço. É esse percentual — e não o preço inteiro — que trabalha contra o aluguel.

Por isso esta página é também a calculadora de margem de contribuição: a margem aparece no resultado em reais por unidade e em percentual do preço, antes de qualquer ponto de equilíbrio. Quem vende muitos itens pode informar os totais do mês e receber a margem média já ponderada pelo faturamento de cada produto.

As três variantes: contábil, econômico e financeiro

As três dividem pelo mesmo índice de margem; muda só o numerador. Na pizzaria com R$ 2.000,00 de lucro desejado e R$ 1.000,00 de depreciação: R$ 16.000,00, R$ 20.000,00 e R$ 14.000,00.

Ponto de equilíbrio não tem tabela oficial, como têm o INSS ou o imposto de renda: nenhum órgão publica um número que valha para todas as empresas. A tabela abaixo é a de referência desta página — as três variantes com nome próprio, calculadas pelo mesmo motor da calculadora, sobre o caso da pizzaria.

As três variantes do ponto de equilíbrio da pizzaria, com R$ 2.000,00 de lucro desejado e R$ 1.000,00 de depreciação
VarianteO que vai no numeradorNumeradorFaturamentoPizzas
Contábilcustos fixos de R$ 8.000,00R$ 8.000,00R$ 16.000,00800
EconômicoR$ 8.000,00 de custos fixos + R$ 2.000,00 de lucro desejadoR$ 10.000,00R$ 20.000,001.000
FinanceiroR$ 8.000,00 de custos fixos − R$ 1.000,00 que não saem do caixaR$ 7.000,00R$ 14.000,00700
Índice de margem de contribuição de 50,0% nas três linhas.

Contábil: empatar o resultado

É o ponto de equilíbrio no sentido usual: o faturamento que deixa o lucro contábil em zero. Entram todos os custos fixos, inclusive os que não saem do caixa, como a depreciação dos equipamentos. Na pizzaria, R$ 16.000,00.

Econômico: pagar também o lucro que você espera

Empatar não remunera o dono nem o dinheiro que ele pôs no negócio. O ponto econômico soma ao custo fixo o lucro desejado — ou o custo de oportunidade do capital — antes da divisão. Com R$ 2.000,00 de lucro, o numerador vira R$ 10.000,00 e o ponto sobe para R$ 20.000,00, ou 1.000 pizzas.

Financeiro: não deixar o caixa negativo

A depreciação reduz o lucro sem tirar dinheiro do caixa naquele mês. O ponto financeiro a retira do numerador e responde a uma pergunta diferente: quanto vender para o dinheiro que entra cobrir o que sai. Com R$ 1.000,00 de depreciação, o numerador cai para R$ 7.000,00 e o ponto, para R$ 14.000,00, ou 700 pizzas. É o número para atravessar um mês apertado, não para planejar: a máquina que se deprecia vai precisar ser trocada um dia.

Quanto o preço mexe no ponto

Como o índice está no denominador, toda mudança de preço mexe no ponto — e o efeito não é simétrico, porque a margem muda junto com o preço. A tabela roda o mesmo motor com a pizza R$ 2,00 mais barata e R$ 2,00 mais cara, com o custo variável e o fixo inalterados.

Ponto de equilíbrio contábil da pizzaria com três preços diferentes
CenárioMargem por pizzaÍndicePonto de equilíbrioPizzas
Preço R$ 18,00R$ 8,0044,44%R$ 18.000,001.000
Preço R$ 20,00R$ 10,0050,0%R$ 16.000,00800
Preço R$ 22,00R$ 12,0054,55%R$ 14.666,67667
A tabela não prevê quantas vendas o preço novo ganha ou perde — só quantas ele exige.
Faturamento mensal para empatar, com três preços de pizza
Faturamento mensal para empatar, com três preços de pizza3 cenários comparados em 1 série. R$ 18,00: Ponto de equilíbrio, R$ 18.000,00. R$ 20,00: Ponto de equilíbrio, R$ 16.000,00. R$ 22,00: Ponto de equilíbrio, R$ 14.666,67.R$ 18 milR$ 18,00R$ 16 milR$ 20,00R$ 14,7 milR$ 22,00
  • Ponto de equilíbrio
Ver os dados em tabela
Faturamento mensal para empatar, com três preços de pizza — valores por cenário
CenárioPonto de equilíbrio
R$ 18,00R$ 18.000,00
R$ 20,00R$ 16.000,00
R$ 22,00R$ 14.666,67

Exemplo prático: a pizzaria em um mês bom e em um mês fraco

Vendendo 1.000 pizzas, a pizzaria fatura R$ 20.000,00, lucra R$ 2.000,00 e tem margem de segurança de 20,0%. Com 600, fatura R$ 12.000,00 e fecha o mês com prejuízo de R$ 2.000,00.

O ponto de equilíbrio sozinho é um número parado. Ele passa a dizer alguma coisa quando é comparado com o que a empresa vende de fato — e é isso que a calculadora faz quando você informa a quantidade vendida no mês.

  1. Mês bom. 1.000 pizzas a R$ 20,00 dão R$ 20.000,00. O faturamento está R$ 4.000,00 acima do ponto de R$ 16.000,00, e esse excedente, multiplicado pelo índice de 50,0%, é o lucro: R$ 2.000,00.
  2. Margem de segurança. A folga dividida pelo faturamento atual dá 20,0%: é quanto as vendas podem cair antes de o mês virar prejuízo.
  3. Mês fraco. Com 600 pizzas, o faturamento é de R$ 12.000,00, abaixo do ponto. A margem de contribuição não cobre o custo fixo e o resultado é prejuízo de R$ 2.000,00; a margem de segurança sai negativa, −33,33%.
Faturamento e custo total da pizzaria, em múltiplos do ponto de equilíbrio
Faturamento e custo total da pizzaria, em múltiplos do ponto de equilíbrioEvolução por volume de vendas, 5 pontos. Faturamento: 0% do ponto, R$ 0,00; 50% do ponto, R$ 8.000,00; 100% do ponto, R$ 16.000,00; 150% do ponto, R$ 24.000,00; 200% do ponto, R$ 32.000,00. Custo total: 0% do ponto, R$ 8.000,00; 50% do ponto, R$ 12.000,00; 100% do ponto, R$ 16.000,00; 150% do ponto, R$ 20.000,00; 200% do ponto, R$ 24.000,00.R$ 32 milR$ 24 mil0% do ponto100% do ponto200% do ponto
  • Faturamento
  • Custo total
Ver os dados em tabela
Faturamento e custo total da pizzaria, em múltiplos do ponto de equilíbrio — valores por volume de vendas
Volume de vendasFaturamentoCusto total
0% do pontoR$ 0,00R$ 8.000,00
50% do pontoR$ 8.000,00R$ 12.000,00
100% do pontoR$ 16.000,00R$ 16.000,00
150% do pontoR$ 24.000,00R$ 20.000,00
200% do pontoR$ 32.000,00R$ 24.000,00

O gráfico é o desenho clássico do ponto de equilíbrio. Sem venda nenhuma, a empresa perde o custo fixo inteiro, R$ 8.000,00. A linha do faturamento sobe mais rápido que a do custo total, porque cada pizza traz R$ 20,00 e só custa R$ 10,00; as duas se cruzam exatamente em R$ 16.000,00. No dobro do ponto, R$ 32.000,00 de faturamento, o lucro é de R$ 8.000,00 — do mesmo tamanho do custo fixo, e não por acaso: no dobro do ponto, a margem de contribuição paga o custo fixo duas vezes.

Ponto de equilíbrio com vários produtos

Use a margem total dividida pelo faturamento total. Com dois produtos de margens de 20,0% e 50,0%, isso dá 28,57% e ponto de R$ 70.000,00; as médias simples e por quantidade erram para os dois lados.

Quem vende mais de um produto esbarra na dúvida: qual margem usar? O exemplo abaixo é o do e-book da 4blue disponível na biblioteca do Sebrae, com R$ 20.000,00 de custo fixo no mês.

Os dois produtos do exemplo
ProdutoPreçoCusto variávelMargemÍndiceVendas no mês
Produto AR$ 100,00R$ 80,00R$ 20,0020,0%1.000
Produto BR$ 200,00R$ 100,00R$ 100,0050,0%200

Somando os dois, o mês fatura R$ 140.000,00 e gasta R$ 100.000,00 em custos variáveis, sobrando R$ 40.000,00 de margem total. O índice da empresa é essa margem dividida por esse faturamento: 28,57%. É o que a calculadora faz no modo "pelo mês", sem precisar de média nenhuma.

Três jeitos de tirar a margem média, e o ponto de equilíbrio de cada um, com R$ 20.000,00 de custo fixo
MétodoÍndicePonto de equilíbrio
Margem total ÷ faturamento total (correto)28,57%R$ 70.000,00
Média ponderada pela quantidade25,0%R$ 80.000,00
Média simples dos percentuais35,0%R$ 57.142,86

A média simples trata os dois produtos como se vendessem o mesmo, e subestima o ponto. A média ponderada pela quantidade corrige o volume, mas pesa cada unidade igual — e uma unidade de R$ 200,00 fatura 2 vezes o que fatura uma de R$ 100,00. Como o índice é uma fração do faturamento, o peso certo de cada produto é o quanto ele fatura. A seção de controvérsias abaixo mostra a prova.

Casos de borda

São sete situações em que a conta pede cuidado. A mais importante: com margem de contribuição zero ou negativa não existe ponto de equilíbrio, e a calculadora diz isso em vez de devolver um número.

Margem de contribuição zero ou negativa

Se o preço não cobre o custo variável, não existe ponto de equilíbrio — e não é modo de dizer. Com preço de R$ 10,00 e custo variável de R$ 12,00, a calculadora responde: "Não existe ponto de equilíbrio: o preço de R$ 10,00 é menor que o custo variável de R$ 12,00. Cada unidade vendida AUMENTA o prejuízo — quanto mais você vende, mais perde." Nenhuma fórmula consegue devolver um faturamento nesse caso; quem devolve um número está dividindo por zero ou por um valor negativo. A saída é mexer no preço, no custo variável ou tirar o produto de linha.

Divisão que não dá número inteiro de unidades

No caso do Sebrae-SP, R$ 3.500,00 ÷ R$ 5,14 = 680,93 unidades. Ninguém vende uma fração de produto, e arredondar para baixo dá 680, que ainda deixa prejuízo — assim como arredondar para o inteiro mais próximo, sempre que a fração for menor que meio. A calculadora arredonda para cima: 681 unidades, que faturam R$ 15.322,50 — um pouco acima do ponto exato de R$ 15.321,01.

Custo fixo zero

Sem custo fixo, o ponto de equilíbrio é zero: a primeira venda já dá lucro, desde que a margem seja positiva. Antes de aceitar esse resultado, confira se não ficou de fora um custo fixo — o seu próprio pró-labore, por exemplo.

Vários produtos com margens diferentes

O ponto de equilíbrio muda com o mix de vendas. Use o modo "pelo mês", com o faturamento total e os custos variáveis totais: a razão entre os dois já é a média ponderada certa. No exemplo de dois produtos desta página, isso dá 28,57% e R$ 70.000,00 de ponto. Se o mix mudar — mais vendas do produto de margem baixa —, o ponto sobe, mesmo com o faturamento igual.

Custo que é parte fixo, parte variável

Conta de luz de uma padaria, com forno ligado conforme a produção, é o exemplo típico: há uma parcela que vem de qualquer jeito e outra que cresce com a venda. Separe as duas partes pela média dos últimos meses — a parcela mínima vai para o fixo, o resto para o variável. Jogar tudo num lado só distorce o índice de margem.

Empresa sazonal

O cálculo é mensal, mas o mês de uma loja de brinquedos em dezembro não se parece com o de fevereiro. Para negócio sazonal, calcule o ponto sobre o custo fixo do ano inteiro e o faturamento do ano inteiro — o próprio material de margem de contribuição do Sebrae-SP recomenda trabalhar com valores anuais — e compare com a soma dos meses, não mês a mês.

Depreciação maior que o custo fixo

Não existe: a depreciação é parte do custo fixo. A calculadora recusa esse preenchimento em vez de devolver um ponto financeiro negativo, que seria um número sem significado com cara de resposta.

O que esta página escolhe, e por quê

São quatro pontos em que as fontes divergem ou em que o erro circula com cara de regra. Cada um mostra o que circula, o que adotamos e o motivo.

A média da margem quando há vários produtos

O que circula: Num e-book da 4blue disponível na biblioteca do próprio Sebrae, a margem média de dois produtos (de 20,0% e 50,0%) é calculada primeiro como média simples, 35,0%, e depois como média ponderada pela QUANTIDADE vendida, 25,0%. Com R$ 20.000,00 de custo fixo, isso leva a pontos de R$ 57.142,86 e R$ 80.000,00.

O que esta página adota: A margem total dividida pelo faturamento total: R$ 40.000,00 ÷ R$ 140.000,00 = 28,57%, e ponto de equilíbrio de R$ 70.000,00.

Por quê: O índice de margem é uma fração do faturamento, então o peso certo de cada produto é o quanto ele fatura, não quantas unidades saem. A prova é direta: vendendo 50,0% do volume de cada produto, a margem dos dois soma R$ 20.000,00 — o custo fixo de R$ 20.000,00 — e o faturamento é R$ 70.000,00. Os outros dois números não passam nesse teste.

Econômico: lucro desejado ou custo de oportunidade?

O que circula: Alguns textos definem o ponto econômico como o que cobre o "lucro mínimo desejado"; outros, como o que remunera o capital investido pelo custo de oportunidade — o que esse dinheiro renderia aplicado.

O que esta página adota: Um campo único de lucro desejado, em reais por mês, somado ao custo fixo antes da divisão. No exemplo, R$ 2.000,00 de lucro levam o ponto para R$ 20.000,00.

Por quê: As duas definições são a mesma conta com números diferentes no numerador. Quem quer usar o custo de oportunidade calcula o rendimento mensal do capital investido e digita esse valor no campo. O que não pode é somar o lucro DEPOIS da divisão — isso esquece que cada real de lucro também precisa de venda para existir.

Financeiro: tirar só a depreciação ou somar as dívidas?

O que circula: A definição usual tira da conta a depreciação e as demais despesas que não saem do caixa. Uma parte da literatura de custos também soma ao numerador as parcelas de empréstimos a pagar no período.

O que esta página adota: Só a exclusão do que não é desembolso — depreciação, amortização e afins. No exemplo, R$ 1.000,00 de depreciação baixam o ponto para R$ 14.000,00.

Por quê: Nenhuma das fontes listadas abaixo define o ponto financeiro — ele vem da contabilidade de custos, e esta é uma escolha da página. É a leitura que a pergunta "quanto preciso vender para o caixa não ficar negativo" pede: a depreciação, que o CPC 27 define como alocação do valor de um ativo ao longo da vida útil, reduz o lucro sem sair do caixa no mês. A parcela de empréstimo não é despesa: se ela pesa no seu caixa, ela precisa ser paga com lucro — então o lugar dela é o campo de lucro desejado, no ponto econômico, e a página diz isso em vez de esconder a escolha.

Markup não é margem

O que circula: "Coloco 50% em cima do custo, então minha margem é de 50%." É o raciocínio dos sócios da história do Sebrae-SP.

O que esta página adota: A margem sobre o preço. O produto de R$ 15,00 vendido a R$ 22,50 tem, depois de R$ 2,36 de imposto e comissão, margem de R$ 5,14 — 22,84% do preço. O imposto e a comissão entram arredondados ao centavo por unidade, como saem na nota.

Por quê: O percentual sobre o custo e o percentual sobre o preço têm bases diferentes, e só o segundo entra na fórmula do ponto de equilíbrio. Usar o primeiro faz o ponto parecer menor do que é — o erro que leva o negócio a achar que está no lucro quando não está.

Perguntas frequentes sobre ponto de equilíbrio

São 20 dúvidas sobre ponto de equilíbrio e margem de contribuição. As respostas abaixo são as mesmas declaradas no schema desta página.

O que é ponto de equilíbrio?
É o faturamento em que a empresa não tem lucro nem prejuízo: a margem de contribuição das vendas paga exatamente os custos fixos. Na pizzaria do exemplo, com R$ 8.000,00 de custo fixo e margem de 50,0%, ele fica em R$ 16.000,00 por mês.
Qual é a fórmula do ponto de equilíbrio?
Ponto de equilíbrio contábil = custos fixos ÷ índice de margem de contribuição. O índice é a margem de contribuição dividida pelo preço de venda. Em unidades, divide-se o custo fixo pela margem unitária e arredonda-se para cima.
Como calcular a margem de contribuição?
Subtraia do preço de venda todos os custos e despesas variáveis daquela venda: mercadoria ou matéria-prima, embalagem, imposto sobre a venda, comissão, taxa do cartão e frete. Pizza a R$ 20,00 com R$ 10,00 de variáveis tem margem de R$ 10,00.
Qual a diferença entre margem de contribuição e lucro?
A margem de contribuição ainda não descontou o custo fixo. Ela é o dinheiro que cada venda traz para pagar aluguel, salários e demais despesas fixas; só o que sobra depois disso é lucro. Margem positiva com prejuízo no mês significa que falta volume.
Qual a diferença entre ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro?
Os três dividem pelo mesmo índice de margem; muda o que vai no numerador. O contábil usa o custo fixo; o econômico soma o lucro desejado; o financeiro tira a depreciação e o que não sai do caixa. No exemplo completo: R$ 16.000,00, R$ 20.000,00 e R$ 14.000,00.
Para que serve o ponto de equilíbrio econômico?
Para responder quanto vender para ter um lucro determinado, e não só para empatar. Com R$ 2.000,00 de lucro desejado, a pizzaria precisa faturar R$ 20.000,00, ou 1.000 pizzas — e não o ponto contábil mais o lucro, porque cada real de lucro também precisa de venda.
Por que o ponto de equilíbrio financeiro é menor?
Porque ele tira da conta as despesas que reduzem o lucro mas não saem do caixa no mês, como a depreciação de máquinas e veículos. Com R$ 1.000,00 de depreciação, o ponto financeiro da pizzaria cai para R$ 14.000,00: o caixa empata antes do resultado contábil.
Quanto preciso vender para não ter prejuízo?
O ponto de equilíbrio contábil, em faturamento ou em unidades. Informe preço, custo variável por unidade e custos fixos na calculadora acima. No caso padrão, são 800 pizzas, ou R$ 16.000,00 de faturamento no mês.
O que acontece se a margem de contribuição for negativa?
Não existe ponto de equilíbrio. Se o preço não cobre o custo variável, cada venda aumenta o prejuízo, e vender mais só piora. A calculadora diz isso em vez de devolver um número: é preciso rever preço, custo ou o próprio produto.
Como calcular o ponto de equilíbrio com vários produtos?
Use o faturamento total e os custos variáveis totais do mês, no modo "pelo mês". O índice que sai daí já é a média ponderada pelo faturamento de cada produto. Média simples dos percentuais, ou média ponderada pela quantidade, erra: no exemplo da página, R$ 57.142,86 e R$ 80.000,00 contra os R$ 70.000,00 corretos.
Imposto sobre a venda é custo fixo ou variável?
Variável, quando é calculado sobre o faturamento — como o DAS do Simples Nacional, o ISS e o ICMS. Entra no custo variável de cada venda, na alíquota que a empresa efetivamente paga. O DAS do MEI é exceção: é valor fixo mensal e vai para o custo fixo.
Pró-labore entra no custo fixo?
Entra. A retirada mensal dos sócios é custo fixo: ela acontece com ou sem venda. Deixá-lo de fora produz um ponto de equilíbrio mais baixo que o real — e uma empresa que empata sem pagar o próprio dono.
Taxa da maquininha é custo variável?
A taxa percentual por transação é variável: cresce com a venda. O aluguel mensal fixo da máquina, quando existe, é custo fixo. O e-book da pizzaria, da 4blue, disponível na biblioteca do Sebrae, separa exatamente assim as duas coisas.
O que é margem de segurança?
É quanto o faturamento atual está acima do ponto de equilíbrio, em percentual do próprio faturamento. Vendendo 1.000 pizzas, a pizzaria fatura R$ 20.000,00 e tem margem de segurança de 20,0%: as vendas podem cair isso antes de o mês virar prejuízo.
Aumentar o preço sempre reduz o ponto de equilíbrio?
Reduz, desde que o custo variável e o fixo não mudem. Na pizzaria, subir R$ 2,00 no preço leva o ponto a 667 pizzas; baixar R$ 2,00, a 1.000. O risco não está no ponto, e sim nas vendas: se o preço novo afastar clientes, o volume pode cair abaixo do ponto. A calculadora mostra o novo ponto, mas não prevê quantos clientes o preço afasta.
O ponto de equilíbrio deve ser calculado por mês ou por ano?
O costume é mensal, porque custos fixos são pagos todo mês. Em negócio sazonal, calcule com os valores do ano inteiro e compare com o faturamento anual; olhar mês a mês faz os meses fracos parecerem crise e os fortes, folga.
Depreciação é obrigatória no cálculo?
No ponto contábil, sim: ela é custo fixo, mesmo sem saída de dinheiro. No financeiro, ela sai da conta. Se você não sabe quanto deprecia por mês, deixe o campo zerado — os pontos contábil e financeiro vão coincidir.
Por que o resultado em unidades é arredondado para cima?
Porque uma unidade a menos ainda deixa o mês no prejuízo. No caso do Sebrae-SP, a conta dá 680,93; com 680 unidades a margem não cobre o fixo, com 681 cobre. O faturamento dessas unidades inteiras, R$ 15.322,50, também aparece no resultado.
O ponto de equilíbrio é um valor exato?
É exato para os números que você informou, e só para eles. Custo que sobe, promoção, mudança de mix ou um gasto que ficou de fora mudam o ponto. Trate o resultado como piso e refaça a conta quando algum desses números mudar.
Minha margem é alta e mesmo assim tenho prejuízo. Por quê?
Porque margem alta com volume baixo não cobre o custo fixo. O índice diz quanto de cada venda sobra; o ponto de equilíbrio diz quantas vendas são necessárias. Compare seu faturamento com o ponto: se estiver abaixo, a margem de segurança sai negativa.

Calculadoras relacionadas

O imposto sobre a venda entra no custo variável, e o DAS do MEI no custo fixo. As calculadoras abaixo ajudam a chegar nesses números.