Juros do parcelamento: à vista ou parcelado?
Se a loja vende por R$ 1.800,00 à vista ou em 10 parcelas de R$ 200,00 "sem juros", o parcelamento embute 1,96% ao mês (26,27% ao ano). Pagar à vista só compensa se essa taxa for maior do que o rendimento do seu dinheiro no mesmo prazo: rendendo 0,50% ao mês, à vista economiza R$ 146,08 em dinheiro de hoje.
Cálculo financeiro, que não depende de tabela fiscal. Dados do site atualizados em .
Descubra a taxa escondida no seu parcelamento
Digite o preço à vista, o valor e o número das parcelas, quando vence a primeira e quanto o seu dinheiro rende. A taxa embutida, o valor das parcelas em dinheiro de hoje e a opção mais barata aparecem na hora.
Pagar à vista sai R$ 146,08 mais barato em dinheiro de hoje: o parcelamento embute 1,96% ao mês, mais do que os 0,50% que o seu dinheiro rende.
Total parcelado de R$ 2.000,00: o desconto à vista é de 10% sobre o parcelado. Com o seu rendimento de 0,50% ao mês, as duas opções empatariam com um preço à vista de R$ 1.946,08 — um desconto de 2,70%.
| Parcela | Vence | Valor | Vale hoje |
|---|---|---|---|
| 1ª | em 1 mês | R$ 200,00 | R$ 199,00 |
| 2ª | em 2 meses | R$ 200,00 | R$ 198,01 |
| 3ª | em 3 meses | R$ 200,00 | R$ 197,03 |
| 4ª | em 4 meses | R$ 200,00 | R$ 196,05 |
| 5ª | em 5 meses | R$ 200,00 | R$ 195,07 |
| 6ª | em 6 meses | R$ 200,00 | R$ 194,10 |
| 7ª | em 7 meses | R$ 200,00 | R$ 193,14 |
| 8ª | em 8 meses | R$ 200,00 | R$ 192,18 |
| 9ª | em 9 meses | R$ 200,00 | R$ 191,22 |
| 10ª | em 10 meses | R$ 200,00 | R$ 190,27 |
| Total | R$ 2.000,00 | R$ 1.946,08 | |
O total de "vale hoje" é calculado de uma vez; cada linha é arredondada ao centavo separadamente, então a soma das linhas pode diferir por alguns centavos.
Simulação: parcelar e deixar o preço à vista aplicado
- Mês 0: rende R$ 0,00, paga R$ 0,00, saldo R$ 1.800,00
- Mês 1: rende R$ 9,00, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.609,00
- Mês 2: rende R$ 8,05, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.417,05
- Mês 3: rende R$ 7,09, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.224,14
- Mês 4: rende R$ 6,12, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.030,26
- Mês 5: rende R$ 5,15, paga R$ 200,00, saldo R$ 835,41
- Mês 6: rende R$ 4,18, paga R$ 200,00, saldo R$ 639,59
- Mês 7: rende R$ 3,20, paga R$ 200,00, saldo R$ 442,79
- Mês 8: rende R$ 2,21, paga R$ 200,00, saldo R$ 245,00
- Mês 9: rende R$ 1,23, paga R$ 200,00, saldo R$ 46,23
- Mês 10: rende R$ 0,23, paga R$ 200,00, saldo -R$ 153,54
No fim, faltariam R$ 153,54 — sinal de que pagar à vista era mais barato.
Como a taxa do parcelamento é calculada
A taxa embutida é a taxa mensal que faz as parcelas, trazidas para hoje, valerem exatamente o preço à vista. No exemplo de R$ 1.800,00 contra 10 × R$ 200,00, ela é 1,96% ao mês — e não 1%, que é o desconto dividido pelo prazo.
Quem paga à vista entrega o dinheiro hoje. Quem parcela entrega o mesmo produto em prestações ao longo dos meses. Quando as duas opções têm preços diferentes, a diferença é o preço do prazo — e todo preço de prazo pode ser escrito como uma taxa de juros. É a mesma conta que o banco faz num financiamento, só que ao contrário: lá se conhece a taxa e se procura a parcela; aqui se conhecem as parcelas e se procura a taxa.
A equação é À vista = Parcela × [1/(1+i)¹ + 1/(1+i)² + … + 1/(1+i)ⁿ], com os expoentes começando em zero quando a primeira parcela é paga no ato. Ela não tem fórmula prática: é preciso tentar taxas até acertar. A calculadora usa o método de Newton-Raphson, que no exemplo desta página chega à resposta em 5 iterações, e recorre à bisseção quando o Newton sai do intervalo possível — o que acontece, por exemplo, quando o parcelado é muito mais barato que o à vista e a taxa é negativa. A resposta é conferida até a 12ª casa decimal.
- Monte o fluxo das duas opções. De um lado, R$ 1.800,00 hoje. Do outro, 10 parcelas de R$ 200,00, cada uma na data em que vence. No cartão a primeira costuma cair na fatura seguinte, cerca de um mês depois da compra; no carnê de loja ela muitas vezes é paga no ato. Anote qual é o seu caso: ele muda a resposta.
- Encontre a taxa que iguala os dois fluxos. A taxa embutida é a taxa mensal i que faz as parcelas, trazidas para hoje, valerem exatamente o preço à vista: À vista = Parcela × [1/(1+i) + 1/(1+i)² + … + 1/(1+i)ⁿ]. No exemplo, i = 1,96% ao mês. Não existe fórmula prática: a calculadora resolve por aproximações sucessivas (Newton-Raphson, com bisseção de reserva).
- Converta para taxa anual composta. Taxa anual equivalente = (1 + i)¹² − 1. Os 1,96% ao mês do exemplo viram 26,27% ao ano. Multiplicar por doze daria 23,56%, que é juro simples e subestima o custo.
- Traga as parcelas a valor de hoje pelo SEU rendimento. Descontando cada parcela pelo que o seu dinheiro renderia no mesmo prazo — 0,50% ao mês no exemplo —, as parcelas valem R$ 1.946,08 hoje. É esse número, e não o total nominal de R$ 2.000,00, que se compara com o preço à vista.
- Compare e decida. Se as parcelas valem mais hoje do que o preço à vista, pague à vista; se valem menos, parcele e deixe o dinheiro rendendo. No exemplo, pagar à vista economiza R$ 146,08 em dinheiro de hoje. Dito de outro jeito: o parcelamento cobra 1,96% ao mês e o dinheiro rende 0,50%.
Por que dividir o desconto pelo prazo dá errado
Um atalho que circula é pegar o desconto de 10% e dividir por 10 meses, o que daria 1% ao mês. O problema é que você não deve o preço inteiro durante os 10 meses: a cada parcela paga, o saldo que a loja ainda financia diminui. O desconto de que a loja abre mão é o juro sobre esse saldo que encolhe, então o juro por mês precisa ser maior. A conta certa dá 1,96%. Outro atalho, o de somar o acréscimo de 11,11% sobre o preço à vista e dividir pelo prazo, dá 1,11% — também abaixo do valor certo, pelo mesmo motivo.
Tabelas de referência: taxa por desconto e prazo
Não existe tabela oficial de juros de parcelamento: a taxa depende só do desconto, do número de parcelas e de quando vence a primeira. As tabelas abaixo foram calculadas pelo mesmo motor da calculadora; a última linha de cada uma mostra o desconto mínimo que faz o pagamento à vista compensar para quem tem o dinheiro rendendo 0,50% ao mês.
| Desconto | 2x | 3x | 6x | 10x | 12x |
|---|---|---|---|---|---|
| 3% à vista | 2,05% | 1,54% | 0,88% | 0,56% | 0,47% |
| 5% à vista | 3,49% | 2,61% | 1,49% | 0,94% | 0,80% |
| 10% à vista | 7,32% | 5,46% | 3,10% | 1,96% | 1,66% |
| 15% à vista | 11,55% | 8,59% | 4,85% | 3,07% | 2,59% |
| 20% à vista | 16,26% | 12,04% | 6,77% | 4,28% | 3,61% |
| Desconto mínimo, rendendo 0,50% ao mês | 0,75% | 0,99% | 1,73% | 2,70% | 3,18% |
| Desconto | 2x | 3x | 6x | 10x | 12x |
|---|---|---|---|---|---|
| 3% à vista | 6,38% | 3,13% | 1,23% | 0,68% | 0,56% |
| 5% à vista | 11,11% | 5,36% | 2,10% | 1,16% | 0,95% |
| 10% à vista | 25% | 11,55% | 4,42% | 2,42% | 1,98% |
| 15% à vista | 42,86% | 18,82% | 7,00% | 3,81% | 3,10% |
| 20% à vista | 66,67% | 27,47% | 9,91% | 5,34% | 4,34% |
| Desconto mínimo, rendendo 0,50% ao mês | 0,25% | 0,50% | 1,24% | 2,21% | 2,69% |
Duas leituras saltam da tabela. A primeira: para o mesmo desconto, quanto mais parcelas, menor a taxa — o desconto é diluído em mais meses. A segunda: com a primeira parcela no ato, toda taxa fica maior do que a correspondente da primeira tabela, porque a entrada não é financiada. Em duas vezes com entrada, o crédito dura um mês só, e qualquer desconto vira uma taxa mensal do tamanho dele próprio ou maior.
O rendimento que a lei fixa: a poupança
A comparação precisa de um rendimento, e o único que a lei escreve em número é o da poupança. O art. 12 da Lei nº 8.177/1991 define a remuneração em dois regimes, conforme a meta da taxa Selic definida pelo Banco Central. Esta página não publica a Selic do dia — ela muda a cada reunião do Copom —, mas publica a regra, que só muda por outra lei.
| Quando | Rendimento | Base legal |
|---|---|---|
| Meta da Selic acima de 8,50% ao ano | TR + 0,50% ao mês | Lei nº 8.177/1991, art. 12, II, "a" |
| Meta da Selic igual ou abaixo de 8,50% ao ano | TR + 70% da meta da Selic, mensalizada | Lei nº 8.177/1991, art. 12, II, "b" |
Exemplo prático: 10% à vista ou 10x sem juros
Uma compra de R$ 2.000,00 em 10 × R$ 200,00, ou R$ 1.800,00 à vista: a taxa embutida é 1,96% ao mês. Com o dinheiro rendendo 0,50% ao mês, as parcelas valem R$ 1.946,08 hoje, e pagar à vista economiza R$ 146,08.
O anúncio diz "10x de R$ 200,00 sem juros ou 10% de desconto à vista". O total parcelado é R$ 2.000,00; à vista, R$ 1.800,00. A diferença nominal de R$ 200,00 é o preço de pagar em 10 meses, e a calculadora a traduz em taxa.
- A taxa embutida. Com a primeira parcela na fatura seguinte, a taxa que iguala os dois fluxos é 1,96% ao mês, ou 26,27% ao ano. Com a primeira no ato, a mesma oferta embute 2,42% ao mês (33,28% ao ano).
- O valor de hoje das parcelas. Descontando cada parcela pelos 0,50% ao mês que o dinheiro renderia, as 10 parcelas valem R$ 1.946,08 — mais que os R$ 1.800,00 do à vista.
- A decisão. Pagar à vista economiza R$ 146,08 em dinheiro de hoje. Com entrada, as parcelas valem R$ 1.955,81 hoje, e a economia do à vista sobe para R$ 155,81.
- O teste do bolso. Se você parcelar e deixar os R$ 1.800,00 aplicados, pagando cada parcela com esse dinheiro, faltarão R$ 153,54 no mês 10, quando vence a última. O rendimento não cobre o custo do prazo.
| Parcela | Vence | Valor | Vale hoje |
|---|---|---|---|
| 1ª | mês 1 | R$ 200,00 | R$ 199,00 |
| 2ª | mês 2 | R$ 200,00 | R$ 198,01 |
| 3ª | mês 3 | R$ 200,00 | R$ 197,03 |
| 4ª | mês 4 | R$ 200,00 | R$ 196,05 |
| 5ª | mês 5 | R$ 200,00 | R$ 195,07 |
| 6ª | mês 6 | R$ 200,00 | R$ 194,10 |
| 7ª | mês 7 | R$ 200,00 | R$ 193,14 |
| 8ª | mês 8 | R$ 200,00 | R$ 192,18 |
| 9ª | mês 9 | R$ 200,00 | R$ 191,22 |
| 10ª | mês 10 | R$ 200,00 | R$ 190,27 |
Quando pagar à vista e quando parcelar
Pague à vista quando a taxa embutida for maior que o rendimento do seu dinheiro; parcele quando for menor. No exemplo, com rendimento de 0,50% ao mês, o desconto mínimo para o à vista compensar em 10 vezes é 2,70%.
O "sempre peça desconto" e o "nunca pague à vista o que pode parcelar sem juros" são meias verdades. Cada um está certo para um rendimento. A resposta depende de comparar duas taxas: a que a loja cobra pelo prazo e a que o seu dinheiro ganha no mesmo prazo. A calculadora faz isso trazendo as parcelas a valor de hoje pelo seu rendimento — e mostra a diferença em reais, não só em percentual.
Com o rendimento do exemplo, o preço à vista que empataria as duas opções é R$ 1.946,08, o que corresponde a um desconto de 2,70% sobre o total parcelado. Qualquer desconto acima disso favorece o à vista. Se a primeira parcela for no ato, o desconto mínimo cai para 2,21%.
Agora troque o rendimento. Com um rendimento hipotético de 2,50% ao mês — número escolhido só para mostrar a decisão virando, não uma taxa de mercado —, as mesmas parcelas passam a valer R$ 1.750,41 hoje, menos que o preço à vista, e parcelar passa a economizar R$ 49,59.
| Situação | Taxa embutida | Rendimento | Parcelas hoje | Mais barato |
|---|---|---|---|---|
| Primeira em 1 mês | 1,96% ao mês | 0,50% ao mês | R$ 1.946,08 | À vista, por R$ 146,08 |
| Primeira no ato | 2,42% ao mês | 0,50% ao mês | R$ 1.955,81 | À vista, por R$ 155,81 |
| Primeira em 1 mês, rendimento hipotético | 1,96% ao mês | 2,50% ao mês | R$ 1.750,41 | Parcelar, por R$ 49,59 |
- Preço à vista
- Parcelas em valor de hoje
Ver os dados em tabela
| Situação | Preço à vista | Parcelas em valor de hoje |
|---|---|---|
| Primeira em 1 mês | R$ 1.800,00 | R$ 1.946,08 |
| Primeira no ato | R$ 1.800,00 | R$ 1.955,81 |
| Rendimento hipotético | R$ 1.800,00 | R$ 1.750,41 |
Qual rendimento usar é a pergunta que decide tudo. O certo é o que aquele dinheiro renderia de fato, já sem imposto, até a última parcela. Se ele ficasse parado na conta corrente, o rendimento é zero e qualquer desconto compensa. Se você precisasse pegar um empréstimo para pagar à vista, o "rendimento" a informar é a taxa desse empréstimo, e aí o parcelamento da loja ganha sempre que a taxa embutida for menor que a do empréstimo.
Casos de borda
São sete situações que mudam a leitura do resultado: entrada no ato, parcelado sem desconto nenhum, parcelado mais barato que o à vista, falta de dinheiro para o à vista, dinheiro parado, parcelas desiguais e juros já anunciados.
A primeira parcela é paga no ato da compra
É o "1 + 9" do carnê. Com a entrada, você financia menos dinheiro por menos tempo, e o mesmo desconto passa a esconder uma taxa maior: 2,42% ao mês no exemplo, contra 1,96% quando a primeira vence em um mês. A calculadora pergunta isso no terceiro passo, porque ignorar esse detalhe troca uma taxa pela outra.
O parcelado é realmente sem juros
Quando não há desconto nenhum para pagar à vista — 10 parcelas de R$ 180,00 contra R$ 1.800,00 —, a taxa embutida é zero, e parcelar é sempre melhor para quem tem onde deixar o dinheiro rendendo. A 0,50% ao mês, as parcelas valem R$ 1.751,47 hoje: R$ 48,53 a seu favor.
O total parcelado é menor que o preço à vista
Acontece em promoção de cartão ou de marketplace. A taxa sai negativa, e a calculadora mostra o número assim mesmo, com o sinal: ela diz quanto a loja está pagando para você esperar. Parcelar ganha em qualquer rendimento maior ou igual a zero.
Você não tem o dinheiro para pagar à vista
Então a comparação que interessa é outra: o parcelamento da loja contra o crédito que você usaria para pagar à vista. Informe no campo de rendimento a taxa desse crédito (a do empréstimo, por exemplo). Se ela for maior que a taxa embutida, parcelar na loja sai mais barato; nunca use o rotativo do cartão para cobrir parcela.
O dinheiro ficaria parado na conta
Informe rendimento zero. Aí o valor presente das parcelas é o próprio total nominal, e qualquer desconto à vista vale a pena. É a situação em que o "sempre peça desconto" dos guias de finanças está certo — e só nela.
A parcela tem centavos que não fecham
Há lojas que arredondam as parcelas e jogam a diferença na primeira ou na última. A calculadora supõe parcelas iguais, e o efeito de alguns centavos na taxa depende do tamanho da compra: numa compra pequena ele pode aparecer já na segunda casa decimal. Para ter a faixa certa, calcule com a menor e com a maior parcela: a taxa real fica entre as duas.
Compra parcelada com juros declarados
Se a loja já anuncia a taxa mensal do parcelamento com juros, você não precisa descobri-la — mas a calculadora serve para conferir: digite o preço à vista e a parcela cobrada. Se a taxa encontrada for maior que a anunciada, há tarifa, seguro ou outro encargo embutido na parcela.
O que esta página escolhe, e por quê
São quatro pontos em que as contas que circulam divergem desta. Em cada um, o que circula, o que adotamos e o motivo.
Dividir o desconto pelo número de parcelas
O que circula: "10% de desconto em 10 vezes dá 1% ao mês." A conta parece óbvia, e é por isso que engana.
O que esta página adota: A taxa interna de retorno do fluxo: 1,96% ao mês no mesmo exemplo.
Por quê: A cada parcela paga, o dinheiro que a loja ainda "empresta" diminui. O desconto é o juro sobre um saldo que encolhe, então a taxa por mês é maior do que o desconto dividido pelo prazo.
Juros simples sobre o preço à vista
O que circula: "O parcelado custa 11,11% a mais; dividido por 10 meses, dá 1,11% ao mês."
O que esta página adota: Juros compostos sobre o saldo devedor: 1,96% ao mês.
Por quê: Juro simples sobre o valor inteiro supõe que você deve o preço todo até o fim. Não deve: metade do prazo depois, já pagou metade das parcelas.
Taxa anual como mensal vezes doze
O que circula: "1,96% ao mês são 23,56% ao ano."
O que esta página adota: A anual composta, (1 + i)¹² − 1: 26,27% ao ano.
Por quê: É a convenção dos contratos de crédito e a que o art. 52 do Código de Defesa do Consumidor chama de "taxa efetiva anual". Multiplicar por doze subestima o custo, e a diferença cresce com a taxa.
Qual rendimento usar na comparação
O que circula: Páginas que publicam "a Selic de hoje" ou "o CDI do mês" dentro da calculadora, como se o número fosse fixo.
O que esta página adota: O rendimento é digitado por você. O exemplo usa 0,50% ao mês, a parte fixa da remuneração da poupança definida em lei — sem a TR, que se soma a ela e varia.
Por quê: Selic, CDI e rendimento de CDB mudam a cada reunião do Copom; publicados numa página estática, envelheceriam em silêncio. A regra da poupança está na Lei nº 8.177/1991 e não muda sem outra lei. E o rendimento certo é o seu, líquido de imposto, no mesmo prazo das parcelas.
Base legal
A página se apoia em cinco referências oficiais, com link para o texto original: a lei que autoriza o desconto à vista, as regras de informação do Código de Defesa do Consumidor e do Decreto nº 5.903/2006, a regra da poupança e a calculadora do Banco Central que resolve a mesma equação.
- Lei nº 13.455/2017 — diferenciação de preços por prazo e meio de pagamento
- Autoriza a loja a cobrar preços diferentes conforme o prazo ou o instrumento de pagamento — é a lei que tornou legal o desconto à vista — e obriga o fornecedor a informar esses descontos em local e formato visíveis.
- Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), art. 52
- Na venda a crédito, o fornecedor deve informar previamente o preço em moeda corrente, a taxa efetiva anual de juros, o número e a periodicidade das prestações e a soma total a pagar, com e sem financiamento. O § 2º garante a liquidação antecipada com redução proporcional dos juros.
- Decreto nº 5.903/2006, art. 3º
- O preço deve ser informado discriminando o total à vista; no parcelamento, também o valor total a pagar, o número, a periodicidade e o valor das prestações, os juros e os eventuais acréscimos e encargos.
- Lei nº 8.177/1991, art. 12, na redação da Lei nº 12.703/2012 — remuneração da poupança
- A poupança rende a TR mais 0,50% ao mês enquanto a meta da Selic estiver acima de 8,50% ao ano, e a TR mais 70% da meta da Selic, mensalizada, nos demais casos. É a origem do rendimento usado no exemplo desta página.
- Banco Central do Brasil — Calculadora do Cidadão
- A opção "Financiamento com prestações fixas" resolve a mesma equação desta página: com o número de meses, a taxa, a prestação e o valor financiado, ela encontra o dado que falta. Serve para conferir o resultado daqui em uma ferramenta oficial.
Perguntas frequentes sobre juros do parcelamento
São 20 dúvidas, da taxa escondida no "sem juros" ao que a loja é obrigada a informar. As respostas abaixo são as mesmas declaradas no schema desta página.
Parcelado sem juros tem juros?
Vale mais a pena parcelar ou pagar à vista?
Como descobrir a taxa de juros das parcelas?
10% de desconto em 10 vezes é quanto de juros por mês?
Por que a taxa é maior quando a primeira parcela é paga no ato?
Qual rendimento devo informar?
Por que o exemplo usa 0,50% ao mês?
Por que a página não usa a Selic ou o CDI de hoje?
O que é o valor presente das parcelas?
Qual o desconto mínimo para valer a pena pagar à vista?
Qual é a taxa anual equivalente?
A loja é obrigada a informar os juros do parcelamento?
A loja pode cobrar mais caro no cartão do que à vista?
Se eu parcelar e quitar antes, pago menos?
E se o total parcelado for menor que o preço à vista?
Parcelar no cartão afeta o limite?
E se eu atrasar uma parcela?
A calculadora considera imposto sobre o rendimento?
O resultado bate com a Calculadora do Cidadão do Banco Central?
Os dados que eu digito são enviados para algum lugar?
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Parcelar é uma das contas de crédito do mês; a dívida do cartão mostra o que acontece quando a fatura não é paga inteira. E o dinheiro que fica aplicado enquanto as parcelas correm rende juros sobre juros, que as calculadoras de juros compostos e de quanto rende medem. A de taxa equivalente leva a taxa mensal do parcelamento ao ano.
- Dívida do cartãoA dívida do cartão fica só um mês no rotativo e depois vai para o parcelamento da fatura. Desde 2024, os juros e encargos somados não podem passar do valor original: em principal, juros e encargos, você paga no máximo o dobro do que ficou sem pagar, sem contar o IOF.
- Juros compostosJuros compostos rendem juro sobre juro: o total é o valor inicial capitalizado mais a série de aportes mensais acumulada. A taxa anual vira mensal por equivalência, e não dividida por doze — que é o erro que infla as simulações de longo prazo.
- Quanto rendeO rendimento depende da taxa, do prazo e do imposto. CDB paga Imposto de Renda regressivo, que cai com o prazo; poupança e LCI/LCA de pessoa física são isentas. Comparar pelo líquido é o que mostra qual rende mais.
- Taxa equivalenteTaxa de juros não se converte por regra de três. De mensal para anual ela se compõe, porque os juros de cada mês rendem juros nos meses seguintes — por isso a taxa anual efetiva supera a mensal multiplicada pelos meses do ano, e é ela que o contrato bancário pode cobrar.
Aviso importante
Esta calculadora é informativa e educacional. O resultado é uma estimativa matemática e não é recomendação de compra, de crédito nem de investimento.