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Calculadora do Bem

Juros do parcelamento: à vista ou parcelado?

Se a loja vende por R$ 1.800,00 à vista ou em 10 parcelas de R$ 200,00 "sem juros", o parcelamento embute 1,96% ao mês (26,27% ao ano). Pagar à vista só compensa se essa taxa for maior do que o rendimento do seu dinheiro no mesmo prazo: rendendo 0,50% ao mês, à vista economiza R$ 146,08 em dinheiro de hoje.

Cálculo financeiro, que não depende de tabela fiscal. Dados do site atualizados em .

Descubra a taxa escondida no seu parcelamento

Digite o preço à vista, o valor e o número das parcelas, quando vence a primeira e quanto o seu dinheiro rende. A taxa embutida, o valor das parcelas em dinheiro de hoje e a opção mais barata aparecem na hora.

Pagar à vista economiza, em dinheiro de hojeR$ 146,08

Pagar à vista sai R$ 146,08 mais barato em dinheiro de hoje: o parcelamento embute 1,96% ao mês, mais do que os 0,50% que o seu dinheiro rende.

Total parceladoR$ 2.000,00Parcelas em valor de hojeR$ 1.946,08Preço à vistaR$ 1.800,00Taxa embutida1,96% ao mês26,27% ao ano

O resultado muda na hora e o endereço da página guarda o que você digitou. Nada é enviado para servidor.

O valor pagando tudo hoje, já com o desconto.

O valor de CADA parcela, e quantas são.

Com a primeira no ato, o mesmo desconto esconde uma taxa maior.

Líquido de imposto. Se o dinheiro ficaria parado na conta, informe zero; se precisar de empréstimo para pagar à vista, informe a taxa do empréstimo.

Total parcelado de R$ 2.000,00: o desconto à vista é de 10% sobre o parcelado. Com o seu rendimento de 0,50% ao mês, as duas opções empatariam com um preço à vista de R$ 1.946,08 — um desconto de 2,70%.

Cada parcela, quando vence e quanto vale hoje pelo rendimento informado
ParcelaVenceValorVale hoje
1ªem 1 mêsR$ 200,00R$ 199,00
2ªem 2 mesesR$ 200,00R$ 198,01
3ªem 3 mesesR$ 200,00R$ 197,03
4ªem 4 mesesR$ 200,00R$ 196,05
5ªem 5 mesesR$ 200,00R$ 195,07
6ªem 6 mesesR$ 200,00R$ 194,10
7ªem 7 mesesR$ 200,00R$ 193,14
8ªem 8 mesesR$ 200,00R$ 192,18
9ªem 9 mesesR$ 200,00R$ 191,22
10ªem 10 mesesR$ 200,00R$ 190,27
TotalR$ 2.000,00R$ 1.946,08

O total de "vale hoje" é calculado de uma vez; cada linha é arredondada ao centavo separadamente, então a soma das linhas pode diferir por alguns centavos.

Simulação: parcelar e deixar o preço à vista aplicado
  • Mês 0: rende R$ 0,00, paga R$ 0,00, saldo R$ 1.800,00
  • Mês 1: rende R$ 9,00, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.609,00
  • Mês 2: rende R$ 8,05, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.417,05
  • Mês 3: rende R$ 7,09, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.224,14
  • Mês 4: rende R$ 6,12, paga R$ 200,00, saldo R$ 1.030,26
  • Mês 5: rende R$ 5,15, paga R$ 200,00, saldo R$ 835,41
  • Mês 6: rende R$ 4,18, paga R$ 200,00, saldo R$ 639,59
  • Mês 7: rende R$ 3,20, paga R$ 200,00, saldo R$ 442,79
  • Mês 8: rende R$ 2,21, paga R$ 200,00, saldo R$ 245,00
  • Mês 9: rende R$ 1,23, paga R$ 200,00, saldo R$ 46,23
  • Mês 10: rende R$ 0,23, paga R$ 200,00, saldo -R$ 153,54

No fim, faltariam R$ 153,54 — sinal de que pagar à vista era mais barato.

Como a taxa do parcelamento é calculada

A taxa embutida é a taxa mensal que faz as parcelas, trazidas para hoje, valerem exatamente o preço à vista. No exemplo de R$ 1.800,00 contra 10 × R$ 200,00, ela é 1,96% ao mês — e não 1%, que é o desconto dividido pelo prazo.

Quem paga à vista entrega o dinheiro hoje. Quem parcela entrega o mesmo produto em prestações ao longo dos meses. Quando as duas opções têm preços diferentes, a diferença é o preço do prazo — e todo preço de prazo pode ser escrito como uma taxa de juros. É a mesma conta que o banco faz num financiamento, só que ao contrário: lá se conhece a taxa e se procura a parcela; aqui se conhecem as parcelas e se procura a taxa.

A equação é À vista = Parcela × [1/(1+i)¹ + 1/(1+i)² + … + 1/(1+i)ⁿ], com os expoentes começando em zero quando a primeira parcela é paga no ato. Ela não tem fórmula prática: é preciso tentar taxas até acertar. A calculadora usa o método de Newton-Raphson, que no exemplo desta página chega à resposta em 5 iterações, e recorre à bisseção quando o Newton sai do intervalo possível — o que acontece, por exemplo, quando o parcelado é muito mais barato que o à vista e a taxa é negativa. A resposta é conferida até a 12ª casa decimal.

  1. Monte o fluxo das duas opções. De um lado, R$ 1.800,00 hoje. Do outro, 10 parcelas de R$ 200,00, cada uma na data em que vence. No cartão a primeira costuma cair na fatura seguinte, cerca de um mês depois da compra; no carnê de loja ela muitas vezes é paga no ato. Anote qual é o seu caso: ele muda a resposta.
  2. Encontre a taxa que iguala os dois fluxos. A taxa embutida é a taxa mensal i que faz as parcelas, trazidas para hoje, valerem exatamente o preço à vista: À vista = Parcela × [1/(1+i) + 1/(1+i)² + … + 1/(1+i)ⁿ]. No exemplo, i = 1,96% ao mês. Não existe fórmula prática: a calculadora resolve por aproximações sucessivas (Newton-Raphson, com bisseção de reserva).
  3. Converta para taxa anual composta. Taxa anual equivalente = (1 + i)¹² − 1. Os 1,96% ao mês do exemplo viram 26,27% ao ano. Multiplicar por doze daria 23,56%, que é juro simples e subestima o custo.
  4. Traga as parcelas a valor de hoje pelo SEU rendimento. Descontando cada parcela pelo que o seu dinheiro renderia no mesmo prazo — 0,50% ao mês no exemplo —, as parcelas valem R$ 1.946,08 hoje. É esse número, e não o total nominal de R$ 2.000,00, que se compara com o preço à vista.
  5. Compare e decida. Se as parcelas valem mais hoje do que o preço à vista, pague à vista; se valem menos, parcele e deixe o dinheiro rendendo. No exemplo, pagar à vista economiza R$ 146,08 em dinheiro de hoje. Dito de outro jeito: o parcelamento cobra 1,96% ao mês e o dinheiro rende 0,50%.

Por que dividir o desconto pelo prazo dá errado

Um atalho que circula é pegar o desconto de 10% e dividir por 10 meses, o que daria 1% ao mês. O problema é que você não deve o preço inteiro durante os 10 meses: a cada parcela paga, o saldo que a loja ainda financia diminui. O desconto de que a loja abre mão é o juro sobre esse saldo que encolhe, então o juro por mês precisa ser maior. A conta certa dá 1,96%. Outro atalho, o de somar o acréscimo de 11,11% sobre o preço à vista e dividir pelo prazo, dá 1,11% — também abaixo do valor certo, pelo mesmo motivo.

Tabelas de referência: taxa por desconto e prazo

Não existe tabela oficial de juros de parcelamento: a taxa depende só do desconto, do número de parcelas e de quando vence a primeira. As tabelas abaixo foram calculadas pelo mesmo motor da calculadora; a última linha de cada uma mostra o desconto mínimo que faz o pagamento à vista compensar para quem tem o dinheiro rendendo 0,50% ao mês.

Taxa mensal embutida — primeira parcela um mês depois da compra
Desconto2x3x6x10x12x
3% à vista2,05%1,54%0,88%0,56%0,47%
5% à vista3,49%2,61%1,49%0,94%0,80%
10% à vista7,32%5,46%3,10%1,96%1,66%
15% à vista11,55%8,59%4,85%3,07%2,59%
20% à vista16,26%12,04%6,77%4,28%3,61%
Desconto mínimo, rendendo 0,50% ao mês0,75%0,99%1,73%2,70%3,18%
Como no cartão de crédito, em que a primeira parcela vem na fatura seguinte. Leia cruzando o desconto oferecido à vista com o número de parcelas.
Taxa mensal embutida — primeira parcela paga no ato
Desconto2x3x6x10x12x
3% à vista6,38%3,13%1,23%0,68%0,56%
5% à vista11,11%5,36%2,10%1,16%0,95%
10% à vista25%11,55%4,42%2,42%1,98%
15% à vista42,86%18,82%7,00%3,81%3,10%
20% à vista66,67%27,47%9,91%5,34%4,34%
Desconto mínimo, rendendo 0,50% ao mês0,25%0,50%1,24%2,21%2,69%
Como no carnê com entrada: cada coluna conta a entrada como a primeira parcela, então Nx é a entrada mais N − 1 parcelas mensais.

Duas leituras saltam da tabela. A primeira: para o mesmo desconto, quanto mais parcelas, menor a taxa — o desconto é diluído em mais meses. A segunda: com a primeira parcela no ato, toda taxa fica maior do que a correspondente da primeira tabela, porque a entrada não é financiada. Em duas vezes com entrada, o crédito dura um mês só, e qualquer desconto vira uma taxa mensal do tamanho dele próprio ou maior.

O rendimento que a lei fixa: a poupança

A comparação precisa de um rendimento, e o único que a lei escreve em número é o da poupança. O art. 12 da Lei nº 8.177/1991 define a remuneração em dois regimes, conforme a meta da taxa Selic definida pelo Banco Central. Esta página não publica a Selic do dia — ela muda a cada reunião do Copom —, mas publica a regra, que só muda por outra lei.

Remuneração dos depósitos de poupança
QuandoRendimentoBase legal
Meta da Selic acima de 8,50% ao anoTR + 0,50% ao mêsLei nº 8.177/1991, art. 12, II, "a"
Meta da Selic igual ou abaixo de 8,50% ao anoTR + 70% da meta da Selic, mensalizadaLei nº 8.177/1991, art. 12, II, "b"
O exemplo desta página usa 0,50% ao mês, sem a TR: é um piso do rendimento da poupança no primeiro regime, e não recomendação de investimento.

Exemplo prático: 10% à vista ou 10x sem juros

Uma compra de R$ 2.000,00 em 10 × R$ 200,00, ou R$ 1.800,00 à vista: a taxa embutida é 1,96% ao mês. Com o dinheiro rendendo 0,50% ao mês, as parcelas valem R$ 1.946,08 hoje, e pagar à vista economiza R$ 146,08.

O anúncio diz "10x de R$ 200,00 sem juros ou 10% de desconto à vista". O total parcelado é R$ 2.000,00; à vista, R$ 1.800,00. A diferença nominal de R$ 200,00 é o preço de pagar em 10 meses, e a calculadora a traduz em taxa.

  1. A taxa embutida. Com a primeira parcela na fatura seguinte, a taxa que iguala os dois fluxos é 1,96% ao mês, ou 26,27% ao ano. Com a primeira no ato, a mesma oferta embute 2,42% ao mês (33,28% ao ano).
  2. O valor de hoje das parcelas. Descontando cada parcela pelos 0,50% ao mês que o dinheiro renderia, as 10 parcelas valem R$ 1.946,08 — mais que os R$ 1.800,00 do à vista.
  3. A decisão. Pagar à vista economiza R$ 146,08 em dinheiro de hoje. Com entrada, as parcelas valem R$ 1.955,81 hoje, e a economia do à vista sobe para R$ 155,81.
  4. O teste do bolso. Se você parcelar e deixar os R$ 1.800,00 aplicados, pagando cada parcela com esse dinheiro, faltarão R$ 153,54 no mês 10, quando vence a última. O rendimento não cobre o custo do prazo.
As 10 parcelas do exemplo e quanto cada uma vale hoje, a 0,50% ao mês
ParcelaVenceValorVale hoje
1ªmês 1R$ 200,00R$ 199,00
2ªmês 2R$ 200,00R$ 198,01
3ªmês 3R$ 200,00R$ 197,03
4ªmês 4R$ 200,00R$ 196,05
5ªmês 5R$ 200,00R$ 195,07
6ªmês 6R$ 200,00R$ 194,10
7ªmês 7R$ 200,00R$ 193,14
8ªmês 8R$ 200,00R$ 192,18
9ªmês 9R$ 200,00R$ 191,22
10ªmês 10R$ 200,00R$ 190,27
Somadas de uma vez, as parcelas valem R$ 1.946,08 hoje. Cada linha é arredondada ao centavo separadamente, e a soma das linhas pode diferir por alguns centavos.

Quando pagar à vista e quando parcelar

Pague à vista quando a taxa embutida for maior que o rendimento do seu dinheiro; parcele quando for menor. No exemplo, com rendimento de 0,50% ao mês, o desconto mínimo para o à vista compensar em 10 vezes é 2,70%.

O "sempre peça desconto" e o "nunca pague à vista o que pode parcelar sem juros" são meias verdades. Cada um está certo para um rendimento. A resposta depende de comparar duas taxas: a que a loja cobra pelo prazo e a que o seu dinheiro ganha no mesmo prazo. A calculadora faz isso trazendo as parcelas a valor de hoje pelo seu rendimento — e mostra a diferença em reais, não só em percentual.

Com o rendimento do exemplo, o preço à vista que empataria as duas opções é R$ 1.946,08, o que corresponde a um desconto de 2,70% sobre o total parcelado. Qualquer desconto acima disso favorece o à vista. Se a primeira parcela for no ato, o desconto mínimo cai para 2,21%.

Agora troque o rendimento. Com um rendimento hipotético de 2,50% ao mês — número escolhido só para mostrar a decisão virando, não uma taxa de mercado —, as mesmas parcelas passam a valer R$ 1.750,41 hoje, menos que o preço à vista, e parcelar passa a economizar R$ 49,59.

A mesma oferta em três situações
SituaçãoTaxa embutidaRendimentoParcelas hojeMais barato
Primeira em 1 mês1,96% ao mês0,50% ao mêsR$ 1.946,08À vista, por R$ 146,08
Primeira no ato2,42% ao mês0,50% ao mêsR$ 1.955,81À vista, por R$ 155,81
Primeira em 1 mês, rendimento hipotético1,96% ao mês2,50% ao mêsR$ 1.750,41Parcelar, por R$ 49,59
Preço à vista contra o valor de hoje das parcelas, em cada situação
Preço à vista contra o valor de hoje das parcelas, em cada situação3 cenários comparados em 2 séries. Primeira em 1 mês: Preço à vista, R$ 1.800,00; Parcelas em valor de hoje, R$ 1.946,08. Primeira no ato: Preço à vista, R$ 1.800,00; Parcelas em valor de hoje, R$ 1.955,81. Rendimento hipotético: Preço à vista, R$ 1.800,00; Parcelas em valor de hoje, R$ 1.750,41.Primeira em 1 mêsPrimeira no atoRendimentohipotético
  • Preço à vista
  • Parcelas em valor de hoje
Ver os dados em tabela
Preço à vista contra o valor de hoje das parcelas, em cada situação — valores por cenário
SituaçãoPreço à vistaParcelas em valor de hoje
Primeira em 1 mêsR$ 1.800,00R$ 1.946,08
Primeira no atoR$ 1.800,00R$ 1.955,81
Rendimento hipotéticoR$ 1.800,00R$ 1.750,41

Qual rendimento usar é a pergunta que decide tudo. O certo é o que aquele dinheiro renderia de fato, já sem imposto, até a última parcela. Se ele ficasse parado na conta corrente, o rendimento é zero e qualquer desconto compensa. Se você precisasse pegar um empréstimo para pagar à vista, o "rendimento" a informar é a taxa desse empréstimo, e aí o parcelamento da loja ganha sempre que a taxa embutida for menor que a do empréstimo.

Casos de borda

São sete situações que mudam a leitura do resultado: entrada no ato, parcelado sem desconto nenhum, parcelado mais barato que o à vista, falta de dinheiro para o à vista, dinheiro parado, parcelas desiguais e juros já anunciados.

A primeira parcela é paga no ato da compra

É o "1 + 9" do carnê. Com a entrada, você financia menos dinheiro por menos tempo, e o mesmo desconto passa a esconder uma taxa maior: 2,42% ao mês no exemplo, contra 1,96% quando a primeira vence em um mês. A calculadora pergunta isso no terceiro passo, porque ignorar esse detalhe troca uma taxa pela outra.

O parcelado é realmente sem juros

Quando não há desconto nenhum para pagar à vista — 10 parcelas de R$ 180,00 contra R$ 1.800,00 —, a taxa embutida é zero, e parcelar é sempre melhor para quem tem onde deixar o dinheiro rendendo. A 0,50% ao mês, as parcelas valem R$ 1.751,47 hoje: R$ 48,53 a seu favor.

O total parcelado é menor que o preço à vista

Acontece em promoção de cartão ou de marketplace. A taxa sai negativa, e a calculadora mostra o número assim mesmo, com o sinal: ela diz quanto a loja está pagando para você esperar. Parcelar ganha em qualquer rendimento maior ou igual a zero.

Você não tem o dinheiro para pagar à vista

Então a comparação que interessa é outra: o parcelamento da loja contra o crédito que você usaria para pagar à vista. Informe no campo de rendimento a taxa desse crédito (a do empréstimo, por exemplo). Se ela for maior que a taxa embutida, parcelar na loja sai mais barato; nunca use o rotativo do cartão para cobrir parcela.

O dinheiro ficaria parado na conta

Informe rendimento zero. Aí o valor presente das parcelas é o próprio total nominal, e qualquer desconto à vista vale a pena. É a situação em que o "sempre peça desconto" dos guias de finanças está certo — e só nela.

A parcela tem centavos que não fecham

Há lojas que arredondam as parcelas e jogam a diferença na primeira ou na última. A calculadora supõe parcelas iguais, e o efeito de alguns centavos na taxa depende do tamanho da compra: numa compra pequena ele pode aparecer já na segunda casa decimal. Para ter a faixa certa, calcule com a menor e com a maior parcela: a taxa real fica entre as duas.

Compra parcelada com juros declarados

Se a loja já anuncia a taxa mensal do parcelamento com juros, você não precisa descobri-la — mas a calculadora serve para conferir: digite o preço à vista e a parcela cobrada. Se a taxa encontrada for maior que a anunciada, há tarifa, seguro ou outro encargo embutido na parcela.

O que esta página escolhe, e por quê

São quatro pontos em que as contas que circulam divergem desta. Em cada um, o que circula, o que adotamos e o motivo.

Dividir o desconto pelo número de parcelas

O que circula: "10% de desconto em 10 vezes dá 1% ao mês." A conta parece óbvia, e é por isso que engana.

O que esta página adota: A taxa interna de retorno do fluxo: 1,96% ao mês no mesmo exemplo.

Por quê: A cada parcela paga, o dinheiro que a loja ainda "empresta" diminui. O desconto é o juro sobre um saldo que encolhe, então a taxa por mês é maior do que o desconto dividido pelo prazo.

Juros simples sobre o preço à vista

O que circula: "O parcelado custa 11,11% a mais; dividido por 10 meses, dá 1,11% ao mês."

O que esta página adota: Juros compostos sobre o saldo devedor: 1,96% ao mês.

Por quê: Juro simples sobre o valor inteiro supõe que você deve o preço todo até o fim. Não deve: metade do prazo depois, já pagou metade das parcelas.

Taxa anual como mensal vezes doze

O que circula: "1,96% ao mês são 23,56% ao ano."

O que esta página adota: A anual composta, (1 + i)¹² − 1: 26,27% ao ano.

Por quê: É a convenção dos contratos de crédito e a que o art. 52 do Código de Defesa do Consumidor chama de "taxa efetiva anual". Multiplicar por doze subestima o custo, e a diferença cresce com a taxa.

Qual rendimento usar na comparação

O que circula: Páginas que publicam "a Selic de hoje" ou "o CDI do mês" dentro da calculadora, como se o número fosse fixo.

O que esta página adota: O rendimento é digitado por você. O exemplo usa 0,50% ao mês, a parte fixa da remuneração da poupança definida em lei — sem a TR, que se soma a ela e varia.

Por quê: Selic, CDI e rendimento de CDB mudam a cada reunião do Copom; publicados numa página estática, envelheceriam em silêncio. A regra da poupança está na Lei nº 8.177/1991 e não muda sem outra lei. E o rendimento certo é o seu, líquido de imposto, no mesmo prazo das parcelas.

Perguntas frequentes sobre juros do parcelamento

São 20 dúvidas, da taxa escondida no "sem juros" ao que a loja é obrigada a informar. As respostas abaixo são as mesmas declaradas no schema desta página.

Parcelado sem juros tem juros?
Tem, sempre que existe desconto para pagar à vista. Se a mesma compra custa R$ 1.800,00 à vista ou 10 parcelas de R$ 200,00, o preço "sem juros" embute 1,96% ao mês. Só é sem juros de verdade quando o preço à vista e o total parcelado são iguais.
Vale mais a pena parcelar ou pagar à vista?
Depende de duas taxas: a embutida no parcelamento e o rendimento do seu dinheiro no mesmo prazo. Se a taxa embutida for maior, pague à vista; se for menor, parcele e deixe o dinheiro aplicado. A calculadora faz as duas contas e mostra a diferença em reais.
Como descobrir a taxa de juros das parcelas?
Resolva a equação À vista = Parcela × Σ 1/(1+i)^t, em que t é o mês de cada vencimento. Ela não tem fórmula prática: calculadoras financeiras e planilhas usam aproximações sucessivas, como a função TAXA do Excel. Esta página faz isso automaticamente.
10% de desconto em 10 vezes é quanto de juros por mês?
1,96% ao mês quando a primeira parcela vence em um mês, e 2,42% quando a primeira é paga no ato. Não é 1%: dividir o desconto pelo prazo ignora que o saldo devido cai a cada parcela paga.
Por que a taxa é maior quando a primeira parcela é paga no ato?
Porque a parcela da entrada não é financiada: você paga parte do preço no dia da compra e financia menos dinheiro por menos tempo. O mesmo desconto, cobrado sobre um crédito menor, vira uma taxa maior — 2,42% contra 1,96% no exemplo.
Qual rendimento devo informar?
O que o dinheiro do pagamento à vista renderia de verdade até a última parcela, já sem imposto de renda. Se ele ficasse na poupança, use a poupança; se ficasse parado na conta, use zero; se você tivesse de pegar empréstimo para pagar à vista, use a taxa do empréstimo.
Por que o exemplo usa 0,50% ao mês?
É a parte fixa da remuneração da poupança, definida na Lei nº 8.177/1991, enquanto a meta da Selic estiver acima de 8,50% ao ano. A poupança paga isso mais a TR, que varia; por isso 0,50% é um piso do rendimento dela nesse regime, e não uma recomendação de investimento.
Por que a página não usa a Selic ou o CDI de hoje?
Porque mudam a cada reunião do Copom, e um número de mercado impresso numa página estática ficaria desatualizado sem aviso. Consulte a taxa atual no site do Banco Central ou no extrato da sua aplicação e digite no campo de rendimento.
O que é o valor presente das parcelas?
É quanto as parcelas valem hoje, descontado o rendimento que o dinheiro teria até cada vencimento. No exemplo, 10 parcelas de R$ 200,00 somam R$ 2.000,00, mas valem R$ 1.946,08 hoje a 0,50% ao mês. É esse valor que se compara com o preço à vista.
Qual o desconto mínimo para valer a pena pagar à vista?
O que iguala o preço à vista ao valor presente das parcelas. Em 10 vezes, com a primeira em um mês e o dinheiro rendendo 0,50% ao mês, é 2,70%; com a primeira no ato, 2,21%. Desconto maior que esse, pague à vista.
Qual é a taxa anual equivalente?
A composta: (1 + taxa mensal)¹² − 1. No exemplo, 1,96% ao mês equivalem a 26,27% ao ano, e não a 23,56%, que seria a conta de multiplicar por doze.
A loja é obrigada a informar os juros do parcelamento?
Sim. O art. 52 do Código de Defesa do Consumidor e o art. 3º do Decreto nº 5.903/2006 mandam informar o preço à vista, o total parcelado, o número e o valor das prestações e os juros. Na prática, quem anuncia "sem juros" e dá desconto à vista deixa essa conta para o consumidor.
A loja pode cobrar mais caro no cartão do que à vista?
Pode. A Lei nº 13.455/2017 autoriza a diferenciação de preços conforme o prazo ou o meio de pagamento, e exige que o desconto seja informado de forma visível. Antes dela, o tema era disputado; hoje o desconto à vista é legal.
Se eu parcelar e quitar antes, pago menos?
Em crédito com juros, o § 2º do art. 52 do CDC garante a redução proporcional dos juros na quitação antecipada. No "sem juros" do cartão, a antecipação das parcelas depende do banco emissor e nem sempre dá desconto — confira antes de contar com isso.
E se o total parcelado for menor que o preço à vista?
A taxa embutida sai negativa e parcelar é melhor com qualquer rendimento. A calculadora aceita o caso e mostra a taxa com o sinal de menos, em vez de esconder o resultado.
Parcelar no cartão afeta o limite?
Afeta: a compra parcelada ocupa o limite pelo valor total e o libera à medida que as parcelas são pagas. Esta calculadora não mede esse efeito, mas ele entra na decisão de quem usa o cartão perto do limite.
E se eu atrasar uma parcela?
Aí entram multa, juros de mora e, no cartão, o rotativo — e qualquer vantagem do parcelamento some. A comparação desta página vale para quem paga em dia. Atraso é outra conta, com outra regra.
A calculadora considera imposto sobre o rendimento?
Não diretamente: você informa o rendimento já líquido. O imposto de renda de aplicações de renda fixa depende do produto e do prazo, e a poupança é isenta para pessoa física — por isso a conta fica com quem conhece a própria aplicação.
O resultado bate com a Calculadora do Cidadão do Banco Central?
Deve bater. Na opção "Financiamento com prestações fixas", informe o número de meses, a prestação e o valor à vista como valor financiado: a taxa mensal encontrada é a mesma. Lá se considera que a primeira prestação não é paga no ato; com entrada, informe o à vista menos a entrada e uma prestação a menos.
Os dados que eu digito são enviados para algum lugar?
Não. O cálculo roda no seu navegador e os valores ficam só no endereço da página, para você poder compartilhar o resultado. Não há cadastro, login nem envio para servidor.

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Parcelar é uma das contas de crédito do mês; a dívida do cartão mostra o que acontece quando a fatura não é paga inteira. E o dinheiro que fica aplicado enquanto as parcelas correm rende juros sobre juros, que as calculadoras de juros compostos e de quanto rende medem. A de taxa equivalente leva a taxa mensal do parcelamento ao ano.